Fechar com vitória

Depois de vencer a selecção de Marrocos na estreia, por 62-56, a Selecção Nacional derrotou ontem a similar do Egipto, por 68-64, e mantém assim a liderança do Grupo C, zona africana de acesso ao Mundial da China em 2019. O "cinco" angolano defronta hoje a RDC e pretende fechar a primeira fase do torneio com chave de ouro.

A Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol deu ontem garantias de ter potencialidade para lograr o apuramento à Copa do Mundo de China\'2019. A boa exibição na vitória por 68-64 sobre o Egipto, no jogo da segunda jornada do grupo C da fase inicial do Torneio de Apuramento, reflecte o trabalho do grupo.
Com o pavilhão do Kilamba a registar casa quase cheia, o público assistiu a uma partida muito empolgante e pouco aconselhável para pessoas hipertensas. O equilíbrio instalou-se desde o início até ao apito final. O Egipto revelou-se que está a fazer uma séria aposta para que o basquetebol da terra das pirâmides venha a ser um dos dignos representantes do continente de África no mundial da China a decorrer no próximo ano.
Os faraós começaram o jogo com relativa superioridade no que toca à estrutura dorsal, quer a defender quer a atacar. Angola parecia definir a filosofia de jogo a ser aplicada num conjunto que se valia pelo porte físico dos atletas na luta pela posse de bola. Fez recurso ao bloqueio e à assistência a atletas com extraordinária capacidade de incisão, tais como Ibrahim Ragab e Omar.
Foi no primeiro quarto que os Egípcios apresentaram ser mais letais do ponto de vista ofensivo. Depois de um empate (6-6), fizeram “a fuga\" ao colocar os activos ao seu favor (22-11). O técnico William Voigt teve de fazer uso dos cânones científicos para dotar o plantel de maior capacidade de reacção ainda o limiar da partida.
Nesta conformidade, os efeitos desejados começaram a materializar-se nos minutos iniciais do segundo período. Os hendacampeões reduziram a desvantagem de dois escassos pontos e foram para o intervalo maior com o placar a registar apenas cinco pontos a favor do Egipto (35-30).
O intervalo galvanizou a coesão do plantel nacional. A equipa nacional passou a subir mais e persistir nos lançamentos a média distância. Leonel Paulo, Yanik Moreira e Olimpio Cipriano revelavam as veias letais na zona de maior rigor. A selecção adversária parecia incrédula na avalanche do ataque nacional e a forte estrutura defensiva colocada pelo técnico William Vigoit. Experimentaram a capacidade de Hermenegildo Mbunga. Angola superou o Egipto no marcador por um escasso ponto (50-51).
O último período foi marcado pela forte entrega das duas equipas. O público foi fundamental para que os Egípcios se rendessem à supremacia do combinado nacional. A primar pela eficiência no jogo exterior, com destaque para Carlos Morais, que laçou um triplo a faltarem quatro minutos, e Yanik Moreira em grande debaixo do aro, Angola desequilibrou a estrutura do adversário. Depois de estarem a vencer por seis pontos (53-59), fecharam o placar com a vitória de 68-64.
                                 
ANGOLA ENCERRA COM RDC
Hendecampeões fecham a primeira fase
com pensamento na segunda fase da competição


A Selecção Nacional espera terminar em beleza e garantir o apuramento para a segunda fase do grupo C do Torneio de apuramento a Copa do Mundo de basquetebol que a República da China vai acolher de 31 de Agosto a 15 de Setembro de 2019, quando entrar hoje, a partir das 18h00 para a quadra do Arena da Kilamba a fim de medir forças com República Democrática do Congo, em partida da terceira jornada.
Depois de se estrear com vitória no duelo com a selecção do Reino do Marrocos (66-52), os hendacampeões confirmaram o bom momento ao se superiorizarem ontem no prélio com o Egipto. Os angolanos obtiveram o segundo triunfo e hoje têm uma missão mais facilitada do ponto de vista teórico. O adversário notabiliza-se pela vulnerabilidade no esboço táctico, pauta pela falta de coesão defensiva e aposta nas jogadas individuais. Essa postura esteve na base da campanha negativa e marcada pela derrotas diante do Egipto (61-66) e do Marrocos (88-81).
A praticar um basquetebol vistoso, emanado da mestria do técnico de nacionalidade norte-americana, William Voigt, e a contar com o apoio incondicional do público, o combinado nacional tem tudo a seu favor para lograr a vitória e cimentar a liderança do grupo.
A verdade é que não pode subestimar a capacidade de sofrimento da formação vizinha do norte. Todas as equipas contemplam o desejo de se bater de igual para igual com Angola. É a equipa que ostenta a melhor qualidade de basquetebol e que se manteve por mais tempo na hierarquia do continente.
Com Leonel Paulo, Olímpio Cipriano, Yanik Moreira e Carlos Morais a fazerem uma sincronização quase perfeita como o Reggie Moore, Gerson da Silva, entre outras unidades de capital importância na manobra do jogo do cinco nacional, os congoleses tem de fazer muito mais do que até agora apresentaram, sob pena de se despedirem do torneio com uma derrota avolumada em números. Por outro lado, seria injusto para as várias dezenas dos adeptos que se têm feito presentes no imponente pavilhão do Kilamba.
Ontem, Angola viveu momentos de grande sufoco no jogo contra o Egipto. Por isso se espera pela mesma entrega com que a equipa se pautou nos dois primeiros jogo e tornar cada vez mais exequível a presença das cores nacionais na competição que vai juntar os melhores atletas do Mundo no gigante extremo-asiático em 2019.


FICHA TÉCNICA


EGIPTO:

Mohamed Teha(5), Amar Abdelhalim(7), Ramy Mohamed(5), Ibrahim Ragab (18), Haytaham Helmy Kalifa(6), Yousse Wael(5), Abdefadee Abdefadeel(0), Ahme Khalaf(16), Omar Hussein(0), Omar Oraby(16), Oslam Mohamed(0), Ahmed Bakr(0)
TÉCNICO: Amr Abouelkhir

ANGOLA:
Gerson da Silva(2), Yanik Moreira(14), Jerson Gonçalves(1), Olímpio Cipriano(8), Carlos Morais(12), Roberto Fortes(0), Leonel Paulo(10), Eduardo Mingas(2), Hermenegildo Mbunga(5), Alexandre Jungo(2), Reggie Moore(5), Leandro da Conceição(7)

Técnico :
William Vioigt


ARBITRAGEM:

Komnjilo (Camarões), Bem Ltaifa (Tunísia), Yussuf Maiga (Mali)
MARCHA DO MARCADOR: 22-11, 35-30, 50-51, 64-68

MARROCOS:
Bunchlikha Jihad(0), Korudo Soufiane(18), El Masbahi Zakaria(2), Aboussaiam Mohamed(8), Choua Mohamed(10), Zouita Abdelhakim(21), Winks John(3), El Makssoud Adil(12), Naja Abdrahim11), Khalif Mustapha(0), Al Uarich Sami(1)
Técnico: Said Il Bouzidi

RDC:
 Kapongo Djack(0), Buzangu Jonhnny(3), Shekina Shekina(5), Muanga Maxi(22), Loo Djo(0), Songanya Evarist(19), Mande Jonathan(0), Kimbuy Pitchou(5), Mukendi Gullit(4), Ebondo Rodrig(6), Kabassele Herv(14) Fula Rolly(3)

Técnico:
Papi Kipunca Kiembe.

ARBITRAGEM:
Mathurin N’Guessan (Costa do Marfim), Peter Frederick Kirabo (Uganda), Saber Rezgui( Tunísia)

MARCHA DO MARCADOR:
19-22, 35-38, 58-51, 75-75, 88-81


CRENÇA NO PASSE
Marrocos bate RDC no prolongamento

A Selecção do Marrocos mantém acesa a convicção perante a almejada obtenção do passe para o Campeonato Mundial de basquetebol em seniores masculinos, ao vencer ontem, à tarde, no Arena do Kilamba, a República Democrática do Congo, em partida da segunda jornada da fase inicial do Grupo C do Torneio de apuramento para a Copa do Mundo que a República Popular da China vai acolher de 31 de Agosto a 15 de Setembro de 2019.
Os magrebinos, às ordens do técnico Said El Bouzidi, tiveram de fazer pela vida para evitar o afastamento precoce da corrida pela competição mundial frente um adversário destemido, não obstante a pouca displicência na abordagem táctica. A equipa da RDC valia-se pelo satisfatório índice de concretização nas investidas individuais. Depois de terem sido obrigados a implementar esforços suplementares na jornada inaugural frente Angola, com quem perderam por 56-62, os marroquino entraram titubeantes no prélio contra a equipa da região dos Grandes Lagos, numa clara evidência sobre a subestimação do potencial do adversário que pretendia redimir-se da derrota (61-65) no jogo de estreia diante da equipa do Egipto.
 A RDC manteve-se firme na busca por uma das três vagas para a segunda fase, que o Egipto vai acolher de 29 de Junho a 1 de Julho de 2018.
Foi o Marrocos que teve maior iniciativa no quarto inicial. Abriu uma vantagem de oito pontos (13-5), quando eram decorridos cerca de cinco minutos. A letargia no plantel congolês, orientado pelo professor Papy Kipunka Kiembe, fez com que o ímpeto ofensivo  marroquino se degradasse até ao ponto de permitirem que o adversário se saísse melhor ao cabo dos período de abertura. O placard registou 19-22 a favor da formação da vizinha República do Congo Democrático.
A selecção de terras de Hassan procurou corrigir os diagramas tácticos, passou a defender à zona com mais substância e implementar maior velocidade nas transições para o ataque. A estratégia parecia funcionar, mas de forma temerária os congoleses sempre souberam manter-se em ligeira vantagem por intermédio da eficácia do jogo exterior. O poste Muanga Maxi impunha-se com verticalidade na luta debaixo do cesto e contribuiu com 13 pontos para que o Congo vencesse o segundo quarto por 38-35.
Convencido da necessidade de maior pragmatismo, os marroquinos uniram o útil ao agradável no terceiro quarto. Imprimiram rigor na defesa homem a homem e capitalizaram o ataque. O comportamento foi reflectido, de imediato, na melhoria em temos produtivos. Passaram a liderar o marcador por sete pontos (48-41) e venceram a antepenúltimo tempo por igual margem (58-51).
O último quarto foi o mais equilibrado. Os congoleses democráticos, por pouco ou nada a terem a perder, arriscaram mais no ataque e progrediram para a vantagem de um ponto (64-63). Mantiveram-se em vantagem a maior parte de tempo derradeiro até que os marroquinos usaram do melhor discernimento para estancar a ousadia do adversário. Os egípcios estabeleceram um rigoroso empate (75-75) que “sentenciou” para o prolongamento de cinco minutos.
O Marrocos apareceu reabilitado no prolongamento. Apresentou claras evidências da maturidade competitiva e os congoleses, muito embora tenham feito do jogo individual a maior divisa do plantel, não tiveram a mesma sorte na etapa decisiva. O resultado de sete pontos de vantagem para o Marrocos, 88-81, espelha bem aquilo que ambos plantéis apresentaram ao público.
Com o resultado, o Congo Democrático, que hoje mede forças com Angola, está com um pé fora da corrida no apuramento ao mundial \"chinês\". P Marrocos procura a segunda vitória, quando medir forças com o Egipto, às 14h45.                                 

DESEMPENHO DA EQUIPA
William Voigt vaticina melhorias


O seleccionador nacional William Voigt reconheceu que a equipa ainda está à procura da melhor sintonia entre as unidades nas diversas facetas do jogo colectivo. Contudo, soube corrigir as falhas a tempo de superar um adversário que se mostrou muito competente na segunda jornada do torneio de apuramento. Angola venceu o Egipto por 68-64.
O norte-americano mostrou-se muito feliz pelo apoio do público na partida mais difícil até agora realizada, desde que assumiu o comando da selecção. Espera continuar a trabalhar com todo afinco para que o apuramento seja uma realidade. O sucesso passa na segunda fase a decorrer no Egipto de 31 de Junho a 3 de Julho de 2018.
William Voigt frisou que o jogo de hohe, marcado para as 18h00 diante da República Democrática do Congo, também se reveste de grande importância, não obstante já se ter garantido a passagem para a segunda etapa em busca do apuramento. Sublinhou que os congoleses são uma equipa forte e que merece o mesmo respeito que os outros adversários.
O técnico não se esqueceu de frisar o papel desempenhado por alguns atletas na etapa decisiva, com particular realce para Yanik Moreira. Na sua opinião, entrou mal no jogo, mas cresceu e efectuou jogadas fundamentais no último período para desestabilizar o adversário. No entanto, todos fizeram a sua parte. A equipa está de parabéns.
“Não existem adversários fracos neste grupo. Trata-se do “grupo da morte” e todos têm grandes capacidades para realizar jogos com o resultado a seu favor. Desta forma, devemos entrar com a mesma determinação para que possamos, mais uma vez, ser vitoriosos e oferecer uma alegria ao público que demonstrou o carinho”, frisou.
      

FRENTE A MARROCOS
Técnico egípcio confiante na vitória


O técnico-adjunto do Egipto, Sabry Saleh, garantiu melhor empenho da sua equipa no jogo de hoje diante do Marcocos, marcado para as 15h00. Os faraós pretendem manter-se na corrida pela obtenção do passe para o Campeonato Mundial de basquetebol que a República Popular da China vai acolher de 31 de Agosto a 15 de Setembro de 2019.
Ao falar na conferência de imprensa no final do jogo em que a sua equipa perdeu para Angola por 68-64, o treinador egípcio foi peremptório em dizer que sabia de antemão que o jogo contra Angola seria o mais difícil da fase que hoje termina. Justificou que a selecção nacional, além de praticar um basquetebol de reputado nível, tinha a vantagem de jogar diante do seu público.
No dizer do técnico, o público teve um papel fundamental, pois os atletas nunca mais jogaram num ambiente tão fervoroso como o registado ontem no Arena do Kilamba. O público egípcio há muito tempo deixou de emprestar o calor à selecção local, de modo que Angola teve todo o mérito de se sair vitoriosa no confronto.
\"Jogar num pavilhão com cerca de 10 mil pessoas a apoiarem o adversário criou um certo mal-estar nos nossos atletas. Nunca mais foram bafejados pelo calor humano do seu público. A selecção angolana jogou bem, serviu-se da vasta experiência para levar o resultado a seu favor. Devemos felicitá-la, porque goza de um forte carinho do seu público\", disse.
Quanto ao jogo diante do Marrocos, Sabry Saleh reconheceu que não vai haver poucas dificuldades para ultrapassar a equipa do Magreb. Sublinhou a confiança dos atletas. Sabem que só com uma vitória podem manter-se na corrida pela vaga à maior competição mundial.
“O Marrocos é uma equipa com grande valor, mas julgamos que temos argumentos suficientes para vencer o jogo de amanhã (hoje). O ambiente vai ser neutro. Os nossos atletas, de certeza, vão estar mais serenos para cumprirem com os pressupostos para vencer a partida”, disse o técnico.
                          

ASSISTÊNCIA
Adeptos chamados
a apoiar a Angola


Depois de \"empurrarem\" a selecção nacional no jogo de estreia, ontem o Arena do Kilamba voltou a registar uma moldura humana considerável. Os adeptos encheram os dois primeiros anéis com bandeiras e outros instrumentos com as cores nacionais no jogo da segunda jornada do Torneio de qualificação para os jogos mundiais da China\'2019. Na hora de aperto, o barulho ensurdecer foi fundamental para desorientar os egípcios.
Ávidos pela vitória, o apoio dos adeptos foi importante. Homens, mulheres e crianças cada um fazia o seu ruído de forma ininterrupta. Eram sons de apitos, cornetas e batuques. As claques organizadas, mesmo com as cores de clubes, estavam em sintonia para o bem comum: Angola.
Na hora de desespero, quando os egípcios apertavam a corda, a presença de adeptos foi determinante. Ciente do seu papel, motivaram os compatriotas que se \"arrastavam\" na quadra com cânticos das claques.
Hoje, no encerramento do torneio, a população é chamada para apoiar os hendecampeões. Na quadra vai estar a RDC, equipa regressa à competição dez anos depois, e está ferida por não somar nenhuma vitória. Diante dos anfitriões, os \"irmãos\" do Norte podem complicar as contas e baralhar as contas finais da primeira fase do Torneio. O apoio de todos é fundamental.                                                                FRANCISCO CARVALHO