" Manuel José precisava de pessoas do seu nível ao lado de si"

O futebol angolano desperdiçou uma boa oportunidade de dar um salto qualitativo, quando Manuel José foi contratado para orientar os Palancas Negras no CAN 2010, revelou Joaquim Dinis ao Jornal dos Desportos. Com base no que viu, o embaixador, cargo que exerceu antes e durante o CAN, garantiu que "o técnico fracassou porque não tinha ao seu lado pessoas com o nível dele".

O futebol angolano desperdiçou uma boa oportunidade de dar um salto qualitativo, quando Manuel José foi contratado para orientar os Palancas Negras no CAN 2010, revelou Joaquim Dinis ao Jornal dos Desportos. Com base no que viu, o embaixador, cargo que exerceu antes e durante o CAN, garantiu que \"o técnico fracassou porque não tinha ao seu lado pessoas com o nível dele\".
A excelente folha de serviço do treinador, era uma garantia para resultados favoráveis, mas o antigo internacional angolano assegurou, que era necessário mais alguma coisa, para evitar dar a sensação de que se estava a espera de um milagre.
\"Angola foi buscar um grande treinador, com títulos africanos ao serviço do Al Ahly, mas para ter sucesso não basta só ter um bom treinador,  também, é importante ter pessoas que o ajudem, que não compliquem\", enfatizou.
O ex-craque do futebol angolano e português preferiu não fornecer muitos pormenores, sobre o que aconteceu nos bastidores dos Palancas, antes e durante o CAN, ainda assim, revelou que \"houve choques silenciosos\", que acabaram por afectar o trabalho do seleccionador.
\"O problema não era o treinador, era das pessoas que queriam protagonismo. Quando há choques silenciosos, os bons resultados não aparecem\", argumentou.
Vários anos depois de deixar a Selecção Nacional de Angola, Manuel José concedeu uma entrevista, em Portugal, com críticas dirigidas aos dirigentes com quem trabalhou na FAF.
Mesmo sem ter acesso ao conteúdo das declarações, Joaquim Dinis vê algumas verdades nas declarações. \"Ele tem as suas razões e se aprofundar vamos ver que ele não fala de jogadores, mas de dirigentes. A mensagem é para eles\", referiu.
As suas características eram semelhantes as de Oliveira Gonçalves, por isso, mostrou-se desiludido por ver que Angola dispensou dois treinadores que tinham o perfil ideal, para colocar a selecção entre os melhores do continente.
\"São dois grandes treinadores, com os quais tive a oportunidade de trabalhar. Ambos, tinham uma grande visão do futebol africano, Angola perdeu muito com a saída deles. Poderíamos ter aproveitado melhor estes dois grandes técnicos\", garantiu.
Sem receios de pôr o dedo na ferida, afirmou que os Palancas estavam no caminho certo, quando era orientados por Oliveira Gonçalves. Mas, como sucedeu com Manuel José, apareceram pessoas a intrometerem-se e que acabaram por afectar de maneira negativa.
\"O Oliveira podia ter feito o CAN 2010, se calhar podia ter feito melhor, porque na competição anterior tinha chegado aos quartos de final, com ele e o Manuel José poderíamos ter sucesso\", rematou.  

ANSIEDADE
Bloqueio no plantel
impede a desforra

O histórico empate, a quatro bolas com o Mali, ocorreu num dia como hoje. Aconteceu em 2010, na abertura do CAN 2010 e a maneira como Angola desperdiçou a vantagem que parecia segura, de quatro golos, tem uma explicação muito simples, \"todos na selecção bloquearam\", confessou Joaquim Dinis.
A vitória podia sorrir aos Palancas Negras, se a vantagem fosse mais magra. Assegurou, que o que estava a acontecer em campo, era impensável antes do apito inicial.
\"Assisti a palestra antes do jogo,  ficou claro que se houvesse um empate  seria muito bom para nós, para a nossa surpresa a equipa entrou bem, houve deslumbramento de todos, bloqueou até ao próprio treinador\", argumentou.
Angola estava com a mão na massa, os três pontos eram uma questão de minutos, até que aconteceu um dos maiores dramas da selecção nacional. \"Quando o Manuel José tirou o Flávio e depois o Gilberto, estava a pensar positivo, porque estava a pensar no jogo seguinte, infelizmente, estas duas substituições acabaram por ‘matar’ a equipa\", garantiu.
A maneira rápida como os malianos começaram a diminuir, até chegar ao 4-4, faz que até hoje se comente muito sobre o que podia ter sido feito, para impedir o empate.
\"Eu não estava no banco, não posso dizer se estivesse lá, podia evitar alguma coisa, mas está claro, que quando estávamos a ganhar, por 4-0, a equipa técnica podia parar para ver como as coisas estavam\", afirmou.                                     

AVALIAÇÃO

“O CAN
é uma prova
de resistência”
Joaquim Dinis afirma, que além do bloqueio geral, faltou, também, pernas aos atletas nacionais. Defende, que num outro tipo de competição, o Mali jamais empataria.
\"O CAN é uma prova de resistência, em que se vai buscar tudo, o que você acumulou desde criança. São jogos de grande responsabilidade e o atleta tem de estar preparado, porque há um curto intervalo entre os jogos, isso, também pesou\", disse.
A frustração do empate foi mais para os atletas, porque tinham os malianos encravados na garganta. O Brinca N\'areia revelou, que os 4-0 que Angola levou num amistoso em França, ainda com Mabi de Almeida, criou uma revolta no balneário.
\"Aquela derrota ficou gravada na mente dos atletas, porque levaram um baile, a nossa televisão passou em directo. Quando chegou o dia do jogo, todos diziam que seria difícil, porque o pensamento ainda estava nos 4-0, mas para a surpresa de todos entramos bem, chegamos aos 4-0, depois veio o resto, isso, condicionou-nos pelo resto do CAN\", lamentou.