Estreia no Mundial o “cartão de visita”

A participação de Angola no Campeonato do Mundo, disputado na Alemanha /2006, é o cartão de visita dos Palancas Negras, feito que superou todas as expectativas e convenceu os mais cépticos, de que a vontade e o querer de um povo pode suplantar todas as adversidades.

A participa??o de Angola no Campeonato do Mundo, disputado na Alemanha /2006, ? o cart?o de visita dos Palancas Negras, feito que superou todas as expectativas e convenceu os mais c?pticos, de que a vontade e o querer de um povo pode suplantar todas as adversidades.
A Selec??o Nacional na sua estreia, s? n?o surpreendeu por falta de sorte e um pouco de experi?ncia. O sorteio colocou Angola ao lado de Portugal, advers?rio de estreia, M?xico e Ir?o, selec?es habituadas a jogar a competi??o das competi?es do futebol.
Os pessimistas e mais apressados prognosticaram resultados desnivelados contra os portugueses e mexicanos, mas quem assim pensou enganou-se, porque, na hora da verdade, os angolanos provaram que n?o eram t?o fracos como se apregoava.
A estreia a 11 de Junho de 2006, come?ou da pior maneira, porque os \"tugas\" colocaram-se em vantagem de maneira f?cil, poucos segundos depois do apito inicial. Pauleta abriu o activo servido por Figo. Quem viu o que aconteceu negou-se a aceitar, que os angolanos eram meros animadores. A selec??o reagiu com atitude competitiva, motivo por que o campo nunca esteve inclinado, no fim foi consensual que o empate poderia ter acontecido.
Quem prognosticou o massacre dos Palancas, se esqueceu que a base da selec??o era formada por jogadores, que actuavam e actuaram em clubes portugueses, e conheciam bem o potencial dos seus advers?rios. A inversa tamb?m demonstrou ser verdadeira, tanto ? assim que chegaram a temer o \"efeito Mantorras\", numa clara alus?o aos golos que o craque angolano marcava no Benfica, ao saltar do banco.
A estreia aceit?vel espica?ou em definitivo. A Selec??o Nacional, mesmo reduzida a dez unidades, conseguiu empatar com o M?xico. A expuls?o de Andr? Macanga, permitiu aos Palancas fazer das fraquezas for?as para p?r em sentido os mexicanos, que realmente tentaram de tudo para enla?ar os angolanos, mas a \'estrela\' de Jo?o Ricardo, guarda-redes que estava desempregado, brilhou no est?dio de Hanover. E tanto ? assim que foi considerado o homem do jogo.
O nulo alcan?ado ante o M?xico, reacendeu as possibilidades de qualifica??o. Contra todas as expectativas, Angola come?ou a ver a porta da segunda fase a se abrir, com uma prestimosa m?o de ajuda de Portugal. Realmente. Um triunfo do seu irm?o dos Palop sobre os mexicanos, poderia colocar os angolanos nos p?ncaros da gl?ria, se vencessem o Ir?o.
O se, por pouco deixava de condicionar o sonho angolano. Portugal, num ?pice, abriu uma vantagem de 2-0 e deixou que Angola tamb?m fizesse ? sua parte contra o Ir?o. O advers?rio estava ao alcance dos Palancas, mas foi necess?rio acontecer algumas adversidades, dentre elas a les?o de Akw?, para que Fl?vio entrasse em campo, pela primeira vez, no mundial.
At? hoje ainda h? acesas discuss?es, quanto ao que teria acontecido se o prol?fico Fl?vio tivesse recebido muito mais oportunidades, porque mal entrou fez a diferen?a. A jogada prometida antes da conclus?o, Figueiredo fez um lan?amento longo para Z? Kalanga, sempre ele, este levantou a cabe?a e cruzou para a ?rea e Fl?vio usou a cabe?a, sua arma letal, para escrever mais um cap?tulo importante na hist?ria dos Palancas.
O golo aumentou as possibilidades de qualifica??o, os atletas acreditaram que podiam passar para a fase seguinte, mas o 2-0 negou-se a aparecer, Love e Mendon?a estiveram bem pr?ximos de ampliar a vantagem angolana, mas a traject?ria da bola chegou apenas para arrepiar.
Os falhan?os eram poucos, ainda assim fizeram com que prevalecesse a l?gica do futebol, ningu?m protegeu um dos postes e os iranianos aproveitaram para empatar na cobran?a de um pontap? de canto. A partir deste lance, os Palancas perderam fulgor e sa?ram do mundial com um sabor agridoce, porque no final conseguiram perceber que poderiam regressar a casa com mais motivos de alegria.
A qualifica??o alcan?ada em Kigali, capital do Ruanda, no hist?rico 8 de Outubro de 2005, h? muito era esperada pelos adeptos do combinado nacional, afinal a selec??o em duas ocasi?es, 1986 e 1998, teve possibilidades de se apurar, mas o vis?vel jogo de bastidores, que antes j? era moda em ?frica, impediu os angolanos de assistirem o mundial, tamb?m com o objectivo de verem os seus em ac??o.
A n?vel do futebol africano, Angola com altos e baixos, participou em sete fases finais do Campeonato Africano das Na?es (CAN). O ponto mais alto aconteceu no Ghana 2008 e na primeira prova que o pa?s albergou em 2010, onde atingiu os quartos-de-finais.


TRINTA E TR?S T?TULOS CONQUISTADOS
Luanda domina primeira divis?o

A ascens?o do Domant FC do Bula Atumba ao Campeonato da Primeira Divis?o, Girabola Zap, na ?poca de 2014, converteu a competi??o mais nacional, pois o Bengo tornou-se na 18? prov?ncia do pa?s a marcar presen?a no certame, cujo embri?o ? o Torneio da Agricultura, prova disputada em 1978? e que movimentou 180 equipas.? Apesar de a bola ter girado j? em todo territ?rio nacional, o Girabola Zap, denomina??o que vem desde 2016, em face ao patroc?nio da esta??o televisiva, ainda n?o atingiu ? dimens?o que se espera, pois os constantes atropelos aos regulamentos, a baixa qualidade do futebol praticado e graves suspei?es de corrup??o, embora tenha existido um per?odo de gra?a, principalmente entre as temporadas de 1979 e 2000, t?m manchado a competi??o.?
O modelo actual da competi??o ? bastante discut?vel. A crise econ?mica e financeira, que o pa?s atravessa h? quatro anos,? acabou por \"beliscar\" ainda mais o n?vel do campeonato, pois s?o in?meras as equipas que se mostram sem capacidade. para fazer face as exig?ncias de uma prova do n?vel do Girabola Zap. Ali?s, exemplo de triste mem?ria, temos a desist?ncia do JGM Acad?mica Clube do Huambo? da competi??o passada.
Contudo, um ano antes da disputa do Torneio \"Ano da Agricultura\", vencida pelo 1? de Agosto, ap?s derrotar? o Progresso do Sambizanga na marca??o de pontap?s da marca de grandes penalidades, depois do empate 3-3 no tempo regulamentar, foi disputada uma prova experimental, cujo objectivo foi o de organizar os clubes ou mistos provinciais para celebrar algumas datas festivas.
A experi?ncia com a realiza??o do Torneio \"Ano da Agricultura\", serviu de paradigma para que a Federa??o Angolana de Futebol (FAF), fundada a 9 de Agosto de 1979, organizasse, naquele mesmo ano, o primeiro Campeonato Nacional da Primeira Divis?o, prova institu?da pela ent?o Secretaria de Estado da Educa??o F?sica e Desportos.
O Girabola, cujo termo ? atribu?do ao falecido radialista e antigo ministro da Comunica??o Social, Rui de Carvalho, organizou a primeira edi??o em 1979.? O 8 de Dezembro foi o dia do arranque do certame, que teve o avan?ado Minguito (j? falecido), do Vit?ria Atl?tico do Bi?, o primeiro a marcar um golo no campeonato da primeira divis?o p?s Independ?ncia, cujo campe?o foi o 1? de Agosto, que derrotou na final o Nacional de Benguela, por 2-1, prova disputada em s?ries, por 24 equipas em representa??o das 16 prov?ncias que compunham o pa?s - o Bengo n?o existia e a Lunda era ?nica.
O maior poderio financeiro, melhores condi?es em infra-estruturas e melhor organiza??o administrativa, faz de Luanda a regi?o emblem?tica do Girabola Zap. Em 40 edi?es disputadas, nos 43 anos da Independ?ncia Nacional, a cidade capital do pa?s tem o dom?nio do campeonato. Ou seja, conquistou 33 t?tulos contra sete das restantes 17 prov?ncias.
Contudo, depois da grande fa?anha do Estrela Clube 1? de Maio de Benguela, nas ?pocas 1983 e 1985, onde fez o bicampeonato, a supremacia dos clubes luandenses foi posta em causa com a ascens?o do Recreativo do Libolo ? primeira divis?o.
A forma??o de Calulo, em dez anos de primeira divis?o, conquistou quatro t?tulos nas ?pocas de 2011, 2012, 2014 e 2015, tendo deixado amargurado os pap?es Petro de Luanda e 1? de Agosto. Ali?s, em cinco temporadas, apenas o Kabuscorp do Palanca, em 2013, intrometeu-se no dom?nio avassalador dos libolenses.
O Sagrada Esperan?a, sob comando t?cnico de M?rio de Sousa Calado, ? a outra equipa do interior do pa?s, que teve \"peito\" para \"roubar\" o trof?u aos luandenses, isso na ?poca de? 2005.
?Pedro Augusto


Desequil?brio competitivo
marca I edi??o

O campeonato ganho pelo 1? de Agosto, em 1979, na sua primeira edi??o, ap?s vencer? na final o Nacional de Benguela, por 2-1, ao contr?rio dos moldes actuais, todos contra todos a duas voltas, foi disputado por s?rie com 24 equipas, em representa??o das 16 prov?ncias que formavam o territ?rio nacional , a Lunda era ?nica e o Bengo apenas foi fundado em 1980.
O n?mero de equipas, que disputaram a primeira edi??o do campeonato da primeira divis?o, n?o estavam suficientemente habilitadas para uma competi??o do g?nero. Ou seja, dada a diferen?a existente, o? n?vel competitivo era bastante desequilibrado. Como medida,? achou-se por bem, a partir da ?poca seguinte (1980), criar uma competi??o com apenas 14 forma?es, que jogaram entre si a duas voltas.?
Assim, as 14 melhores equipas continuaram na primeira divis?o e as restantes dez baixadas para Segunda Divis?o. Deste modo, no Girabola referente ? ?poca de 1980/81, vencido novamente pelos militares, competiram as seguintes equipas:
1? de Agosto, Nacional de Benguela, Grupo Desportivo da Taag (actual ASA), Estrela Vermelha do Huambo (actual Benfica), FC do U?ge, Acad?mica do Lobito, GD da Chela (actual Benfica do Lubango ), Ferrovi?rio da Hu?la, Diabos Verdes (actual Sporting de Luanda ), Santa Rita de Mo??medes, Sassamba da Lunda Sul e Sagrada Esperan?a da Lunda Norte.
A forma??o diamant?fera beneficiou da divis?o administrativa da ent?o prov?ncia da Lunda em Norte e Sul.
1? de Agosto (campe?o nacional), Construtores do U?ge, FC do U?ge, Luta Sport Cube do Cabinda e FC de Mbanza Congo fizeram parte da s?rie A, ao passo que Palanca do Huambo, Acad?mica do Lobito, Vitoria do Bi?, Santa Rita de Mo??medes, Juventude do Cunje do Bi? e 14 de Abril do Moxico estiveram no grupo B.
Makotas de Malange, Ferrovia da Hu?la, Benfica do Lubango, Nacional de Benguela, Sassamba da Lunda Sul e Diabos Negros do Cuanza Norte fizeram parte da s?rie C, enquanto o grupo D foi constitu?do pelo Sporting de Luanda, Desportivo da Taag (actual ASA), Naval do Porto Ambo?m, Desportivo do Xangongo (Cunene), Estrela Vermelha do Huambo (hoje Benfica) e Gin?sio do Cuando Cubango.?
?Pedro Augusto

TETRACAMPE?O
Libolenses \"estremeceram\" luandenses?

O \"novato\" Clube Recreativo do Libolo (CRL), que disputa este ano, o seu d?cimo primeiro campeonato da primeira divis?o, ? a forma??o do interior que mais t?tulos conquistou, quatro no total, contra dois do 1? de Maio de Benguela e um do Sagrada Esperan?a da Lunda Norte, nas 40 edi?es do Girabola Zap, disputadas nos 43 anos da Independ?ncia Nacional.?
A saga vitoriosa do Libolo come?ou em 2011, quatro ?pocas ap?s a sua ascens?o ? primeira divis?o e, por duas vezes, fez o bicampeonato.? Os libolenses tiveram tudo para fazer o \"tri\" e o \"tetra\", por?m, n?o foi poss?vel, porque o Kabuscorp Sport Clube do Palanca, em 2013, intrometeu-se nas conquistas do gr?mio presidido, na altura, por Rui Campos. Ainda assim, o dom?nio a n?vel do Girabola Zap pertence a duas forma?es luandenses, Petro e 1? de Agosto, que conquistaram 27 trof?us juntos nos 40 campeonatos j? disputados.
As 40 edi?es j? disputadas do Girabola Zap foram conquistadas apenas por? oito forma?es de quatro prov?ncias. O Petro de Luanda, com 15 trof?us, e que n?o vence a competi??o desde 2009, ? o campe?o dos campe?es.
O per?odo de seca que o Petro de Luanda observa no campeonato, est? a ser bem aproveitado pelo rival 1? de Agosto, que tem 12 conquistas, tendo reduzido, nos ?ltimos tr?s anos, de seis para tr?s a diferen?a entre ambos.
Atl?tico Sport Avia??o (3), Interclube (2), Sagrada Esperan?a da Lunda Norte e Kabuscorp do Palanca, ambas com um, s?o as restantes forma?es que t?m nas suas galerias, o mais apetec?vel trof?u do futebol nacional.