Hábito de qualificação aumenta chance de êxito
Os Palancas Negras deram sempre boa conta do recado, na hora de decidir a qualificação, na última jornada. A história escrita com tinta indelével, é capaz de ajudar o combinado nacional a confirmar o esperado apuramento para o africano do Egipto, ainda mais, porque foi diante do Botswana que se começou a construir a estatística favorável, que mantém viva a esperança da selecção angolana.
As mudanças, nos moldes de apuramento para o CAN, coincidiram com a época de bonança dos Palancas Negras, a bem da verdade, quando terminou a primeira volta da corrida ao África do Sul 96 parecia que a história do costume ia repetir-se, no começo com vitória e final com desilusão. Quem assim pensou, teve de mudar de ideias por que Angola fechou a primeira volta com um triunfo extramuros de 2-1, sobre o Botswana, com bis de Paulão.
Até certo ponto, foi esse triunfo que mudou a maré do jogo a favor de Angola, finalmente, a selecção estava alinhada, como fez questão de frisar o Jornal de Angola, ao tributar a selecção de Carlos Alhinho. O espírito competitivo dos angolanos, na segunda volta, foi atiçado pelo \"Rei\" da Cidadela, o bis de Akwá, os seus primeiros golos no Estádio Nacional, no folgado triunfo sobre a Guiné - Conacry em que dissipou toda a dúvida quanto ao apuramento, que quase foi por antecipação, mas a derrota extramuros com Moçambique, 2-1, deixou o melhor para o fim.
O Botswana era o bombo da festa, com relação ao grupo, por isso, os Palancas Negras aproveitaram logo de imediato, o jogo ainda nem tinha um minuto quando o delírio provocado pelo golo de Joni, com cambalhotas a comemorar , confirmou o que era esperado por Luanda afora. A etapa inicial terminou com folgados 3-0, pelo que o único interesse dos derradeiros 45m, era aguardar pelo último apito, para a festa do inédito apuramento, antes do árbitro apitar ainda se chegou ao 4-0.
A indigestão, provocada pelo empate caseiro com os Camarões, adiou o sonho do Mundial 98, mas acabou por se tornar no mal que veio por bem. Angola perdeu, extramuros, os dois jogos do apuramento ao Burkina Faso 98, todos temiam que o fracasso com os Camarões ia fazer mossa à equipa, aconteceu o contrário, 1-0 ao Ghana e 2-1 ao Zimbabwe, “in extremis” os Palancas Negras contrariaram todos os prognósticos e avançaram para o seu segundo africano consecutivo.
Os Palancas Negras tornaram a cometer os mesmos pecados do passado, antes de Lito Vidigal ser contratado, a qualificação estava por um fio. A derrota fora, por 2-1, na estreia de Vidigal quase que foi a gota para transbordar o copo, mas mais uma vez, a segunda volta foi proveitosa demais para os angolanos, 100 por cento de aproveitamento nos dois jogos caseiros, deixaram tudo em aberto para o decisivo embate extramuros com a Guiné - Bissau.
O sol estava escaldante demais, mas os Palancas Negras tiveram duplo motivo para comemorar, venceram 2-0 e ainda viram o Uganda ficar no nulo caseiro com o Quénia. Os angolanos fizeram uma das ultrapassagens mais felizes da sua história, terminaram com 12 pontos, os ugandeses somaram 11, o único passe do grupo para o Gabão/Guiné Equatorial 2012, ficou com os angolanos.A atípica eliminatória com o Zimbabwe, também, faz parte da nossa estatística, a CAF decidiu mudar para um ano ímpar a disputa do CAN, assim, fez um arranjo para realizar o africano de 2013, num abrir e fechar de olhos. Questões de bastidores, no balneário nacional, causaram muito mais apreensão do que o desaire de 3-1, antes do jogo de resposta, os homens conversaram e se entenderam, por isso, foi sem surpresa que o velho freguês mal teve tempo de reagir ao rápido KO, provocado pelo bis de Manucho, ainda tentou num último suspiro respirar, mas foi Angola quem esteve no CAN da África do Sul 2013.