Pontapé de saida em casa

Os embaixadores angolanos nas provas da CAF começam esta semana a sua campanha. Os petrolíferos jogam amanhã com o Orapa do Botswana para a preliminar da Taça da Confederação ao passo que quarta-feira será a vez dos militares defrontarem o AS Otôho do Congo Brazzaville, para a preliminar de acesso à fase de grupos da “Champions League”.

Ainda a lamber as feridas da inesquecível e dolorosa eliminatória das meias-finais da Champions, o 1º de Agosto vai tentar na quarta-feira, a partir das 16h00, no 11 de Novembro, começar a marchar de novo para a fase de grupos da milionária.
O adversário da primeira mão da eliminatória é o AS Otôho do Congo Brazzaville, uma equipa que ficou famosa na edição passada da prova, porque perdeu 9-0 com o MC Alger. Como não há uma sem duas no futebol, os militares também podem aproveitar para espalhar as suas sementes do golo.
Os militares granjearam enorme prestígio e estão com a cotação em alta na Champions, há pois todas as razões para pedir ao campeão angolano, que tire bom proveito da maior qualidade que tem, o adversário tem ainda um longo caminho a percorrer para chegar à elite continental, como o 1º de Agosto. Ninguém mais precisa ensinar aos militares o que fazer, para peneirar bem as coisas nos primeiros 90 minutos, as lembranças recentes vão motivar a equipa para chegar, ver e ganhar a vantagem que deseja na primeira mão da eliminatória.
A pobre campanha do AS Otôho na edição passada da Champions contrastou com o brilharete do 1º de Agosto, o provou e gostou agora quer dar lugar à consolidação, os militares ambicionam provar que nada foi obra do acaso, que ainda têm potencial para chegar à fase de grupos.
O Otôho é o primeiro teste para a ambição do campeão angolano, é ponto assente que os congoleses acompanharam o desempenho dos angolanos e vêm ao 11 de Novembro dispostos a tudo, menos de serem inocentes como as pombas, eles vão se esforçar em ser cautelosos como as serpentes para impedir a todo o custo uma repetição do filme de terror que viveram em casa do MC Alger.
O 1º de Agosto pode antever quais os movimentos tácticos do adversário, quando o apito soar os congoleses vão adoptar uma atitude de espera, nada faz crer que vai se expor de peito aberto, pegar no jogo é tudo menos o que o Otôho quer, fazer isso significa entrar inclinado para frente, por causa da postura atacante.
As duas equipas sabem para quem todos estão a olhar, sim, realmente o peso todo está nas costas do 1º de Agosto, mas nada faz crer que isso vai se transformar num peso adicional para os militares, a equipa contínua na nova época com os bons hábitos do passado, pelo que não vai ter dificuldades em fazer prevalecer no relvado a teoria do mais forte.
Ainda bem, que os militares fizeram a sua história na Champions sem prestar atenção as vozes dos estranhos, em momento algum a equipa concluiu que tinha de dar tudo na primeira mão. Foram várias as vezes em que a festa foi feita em festa do adversário, um bom indício de que esse 1º de Agosto amadureceu o suficiente para perceber que o mais importante é ser consistente no computo dos dois jogos da eliminatória.
Por mais que queira, os militares sabem que não ter a bola toda do jogo, até podem ter maior ascendente mas em algum momento vão \"relaxar\" para recuperar forças porque é impossível manter o mesmo ritmo ou intensidade em todas as etapas do jogo. Assim então, vai ser determinante a maneira como o 1º de Agosto vai fazer a digestão, como vai ser neste período em que os congoleses mais se vão soltar, os militares têm de se manter bem concentrados em todos os momentos para impedir que o adversário consiga fazer alguma coisa de realce, quanto mais sólida a equipa rubro-negra estiver em todas as etapas do jogo mais o AS Otôho se vai convencer em definitivo de que não tem qualquer hipótese de fazer uma gracinha em Luanda.

IVO TRAÇA
“O  grupo está  bem”

O técnico-adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, garantiu, ontem, que apesar da equipa do AS Otôho do Congo Brazzaville, ser um conjunto desconhecido nas competições internacionais, tudo farão para ganhar o jogo da próxima quarta-feira, às 16h00, no estádio 11 de Novembro, em desafio referente a preliminar de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos.Em declarações ao Jornal dos Desportos, o adjunto de Dragan Jovic disse que o grupo está motivado, em função dos bons resultados no Girabola Zap, onde vêm de um empate e duas vitórias, e não querem ser apanhados desprevenidos pelo adversário.
\"O grupo está bem em função das últimas vitórias que tivemos no campeonato, as coisas têm corrido bem, e quando se ganha dá um tónico positivo à equipa. Temos consciência de que são provas diferentes, é uma equipa do Congo Brazzaville, é nova nestas competições internacionais, mas de qualquer das formas não queremos ser apanhados desprevenidos, porque queremos ganhar o jogo\", afirmou Ivo Traça.
O antigo médio agostino referiu ainda que têm alguns dados sobre o adversário, que não são suficientes, mas que servirão para abordar este primeiro desafio.
\"Já colhemos algumas informações sobre o adversário para este jogo. Conseguimos alguns vídeos do campeonato local, que também não nos dá muitas informações, mas é o que temos e estamos a nos guiar para este jogo\", destacou.Ivo Traça rejeitou a ideia da ansiedade fazer parte do colectivo, admitindo apenas que os jogadores têm vontade de jogar e entrar com o pé direito nesta fase da competição a eliminar.
\"Não digo que haja ansiedade no grupo, é verdade que durante a semana eles querem jogar, e nota-se que têm vontade de ganhar, mas não diria que estejam ansiosos. Eles (atletas) querem dar o seu melhor, estão concentrados e determinados em ganhar este desafio, por um resultado que nos permita fazer o segundo jogo sem muita preocupação\", defendeu.
O médio nigeriano Ibukun volta a ficar de fora, por lesão, de acordo com o técnico-adjunto militar.
 JORGE NETO


TAÇA DA CONFEDERAÇÃO * AMANHÃ
Petro  tenta  vantagem  ante  oponente  generoso


O sorteio da preliminar da Taça da Confederação colocou o desconhecido Orapa United do Botswana no caminho do Petro de Luanda. Os tricolores têm nome no continente e amanhã, 16h00, no 11 de Novembro, a missão de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ganhar, não importa se por muito ou pouco, para levar vantagem sobre a equipa tswanesa, cujo registo de golos sofridos na época passada, 33 em 35 jogos, pode ser uma boa pista para ajudar o vice-campeão angolano a chegar aonde quer.
A precisar primeiro de ganhar, os tricolores têm de saber estabelecer prioridades para marcar. O futebol é feito de ingredientes, é verdade, mas o golo está acima de tudo e tem de ser obtido com bom ou mau futebol, o importante é fazer balançar as redes. É essa a meta que tem de mover o Petro, caso consiga marcar primeiro é possível que as outras coisas que os tricolores pretendem podem vir a seguir, a única certeza é que chegar a vantagem vai aumentar as chances de ampliá-la.
A cobrança dos adeptos no embate com o Saurimo FC veio em boa altura para os tricolores, saber o que se pede nas bancadas deve causar revolta ao plantel, os aplausos vão sim aparecer se a equipa fizer a sua parte. Ainda bem que um dos lados já definiu a sua preferência, agora a bola está do lado dos jogadores, só eles podem dar uma resposta cabal, capaz de satisfazer até o mais exigente dos adeptos.
Os tricolores há muito andam nas afrotaças, o que já acumularam ao longo do tempo tem de ter força suficiente para tentar colocar o Orapa United no seu devido lugar.
Campeonato por campeonato, selecção por selecção, não há como fazer comparação, assim só se espera que o Petro consiga mostrar atitude competitiva para vencer, sem tentar colocar um fardo adicional na sua exibição, ganhar por números gordos é o ideal, mas se não for possível, que venha o mínimo, sair em vantagem na primeira mão.
Quer o Petro, quer o Orapa, não ganharam nenhuma das competições internas em que participaram na temporada passada, mas uma rápida olhada as estatísticas dos contendores ajuda a ver que os tricolores têm na teoria mais argumentos futebolísticos, agora falta a prática para que o favoritismo da equipa angolana separe as águas em definitivo, goste-se ou não, vai ser surpreendente se o nulo ou outro resultado favorável aos Orapa United prevalecer no final.
A época passada, o Petro de Luanda morreu na praia da fase de grupos, a experiência acabou por ser dolorosa e deixou marcas profundas, o dedo acusador chegou a estar numa certa direcção, mas os tempos agora são outros, há lições que podem ser usadas por todos, ainda mais porque os protagonistas são os mesmos, que têm vontade de virar a página para não voltar a cometer os mesmos erros.