Título no CAN de Sub-20 entre os feitos relevantes

A conquista do Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub-20, em 2001, representa um dos grandes feitos registados pelo futebol angolano em 43 anos de Independência Nacional.

A conquista do Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub-20, em 2001, representa um dos grandes feitos registados pelo futebol angolano em 43 anos de Independência Nacional.
O brilharete alcançado pela selecção de juniores, na prova disputada na Etiópia, permitiu a presença de Angola, pela primeira vez, no Campeonato do Mundo, organizado pela Argentina, facto que veio confirmar um “estado de graça” da modalidade.
Num contexto, em que Angola não era ainda vista como potencial favorita à conquista de feitos tão elevados, como é vencer uma Taça das Nações Africanas, acabou por ser com particular júbilo que o país recebeu a notícia, mas também vibrou com ela com o sentimento claro de que não fora obra do acaso, pois na altura, embora poucos reconhecessem os triunfos, acabavam como uma consequência natural da acção demolidora daquele conjunto, sabiamente orientado por Oliveira Gonçalves.
O feito permitiu estarmos, pela primeira vez, na maior competição mundial do futebol, sob à égide da FIFA, tendo o nosso desempenho sido o mais esperado, para uma selecção inexperiente, que se estreava numa competição de “gigantes”, onde a regra da maior experiência acabou por sobrepor-se a qualquer demonstração de voluntarismo.
Em 43 anos de celebração da Independência Nacional, vale sempre a pena lembrar o registo inédito protagonizado pelo futebol angolano, como a prova evidente de que o futebol nacional pode alcançar altos patamares, porque existe “matéria -prima” capaz de proporcionar aos adeptos a oportunidade de sonhar.
Os projectos levados a cabo pela Federação Angolana de Futebol (FAF), para a formação de uma selecção de juniores (Sub-20), capaz de repetir os feitos alcançados pela conhecida \"geração de ouro\", caminham próximos da excelência.
Apesar dos recentes fracassos nas eliminatórias de qualificação ao Campeonato Africano da categoria, na Líbia, ter defraudado as expectativas, ficou patente que os Palanquinhas deixaram nas competições, em que estiveram envolvidos, sinais de um conjunto, que começa a ganhar o hábito às exibições da mais alto nível.
Foi notória na composição do grupo, a existência de jovens talentos com futuro promissor e cujas idades e espaços de progressão permitem sonhar com a consolidação das metas traçadas. Ficam claramente identificados os sectores em que se pode exigir maior empenho aos responsáveis técnicos ao serviço da selecção.
Sem que ainda o grupo de trabalho tivesse materializado o seu objectivo, que é a formação de uma equipa forte, coesa e homogénea, as grandes preocupações para os Sub-20 voltam a centrar-se no que pode vir a ser o futuro, em termos de preparação, numa altura em que a jovem selecção não vislumbra qualquer competição.
Isso seguramente, há-de constituir a maior preocupação no longo e árduo projecto do principal viveiro da selecção de honras, já que os jogos revelaram ser para a selecção o verdadeiro impulso para a qualidade.
Em face disso, a falta de jogos ou a quebra de ritmo de preparação, pode atrapalhar a continuidade do projecto dos Sub-20 e de qualquer uma das selecções jovens, cujos treinadores projectam êxitos no futuro. E diga-se, nesse aspecto, que sobre a Federação recaem grandes responsabilidades, quanto ao dever de colocar à disposição das jovens selecções, todas as condições indispensáveis à realização de um trabalho de preparação susceptível de garantir uma boa formação.


CAMPEÃO DO MUNDO
Futebol adaptado   coloca  Angola  no topo

Nos registos dos feitos protagonizados pelo desporto angolano, em 43 anos de Independência Nacional, há que assinalar a conquista do título de campeão do mundo, conquistado pela Selecção Nacional de futebol adaptado, no Mundial disputado recentemente no México.
Trata-se, irremediavelmente, da maior façanha alcançada pelo desporto angolano em mais de quatro décadas de Independência Nacional. O título conquistado pela selecção de futebol com muletas supera todos os registos coleccionados pelo desporto nacional.
Depois de ter espreitado o título em 2014, também no México, Angola não deixou os seus créditos em mãos alheias, ao conquistar o troféu após uma trajectória irrepreensível na competição, assinalada com seis vitórias em sete jogos.
O feito serve igualmente de prova do bom momento que vive o futebol adaptado no país, fruto dos investimentos realizados pelo Comité Paralímpico Angolano (CPA), cuja aposta na conquista do título mundial revelou-se fundamental para a concretização do êxito. Angola chegou à final após deixar para trás o Brasil com triunfo por 2-1, após prolongamento. Mas, antes disso, na fase de grupos, a Selecção Nacional bateu a Ucrânia (4-0), Espanha (1-0), Itália (2-0) e Polónia (6-5 aos penalties). A única derrota (1-2) aconteceu frente ao Haiti.                          

AFROTAÇAS
Equipas angolanas
perdem três finais

Ao longo dos quarenta e três anos de Independência  e 37 de presença nas competições africanas, a nível de clubes, as equipas angolanas estiveram sempre ao lado do quase, para erguerem o troféu. Oportunidades não faltaram. Umas por falta de sorte e outras por culpa da arbitragem.
A estreia, aconteceu em 1981, com o 1º de Agosto e o Nacional de Benguela a fazerem as honras da casa. O baptismo diante de duas equipas camaronesas, o Canon de Yaoundé e o Union de Douala, são de más recordações para o futebol nacional.
Depois de um período negro, os angolanos, aos poucos, passaram a deixar a marca no continente, com prestações que começavam a surpreender os que os tinham como os bombós da festa ou adversários acessíveis.
O primeiro sinal ocorreu em 1994, com a disputa da primeira final de uma equipa angolana, nas competições africanas. Coube ao 1º de Maio de Benguela o feito e só não conquistou o inédito, pelo facto de ter sido obrigado a trocar o local do jogo da final.
Voltámos a fazer história, com o 1º de Agosto a qualificar-se para a I edição da Liga dos Campeões de África em 1996, com uma campanha quase irrepreensível. Os militares lideraram o grupo com muita classe e perderam o comando na última jornada, na conjugação de resultados. Não foi por acaso, que surgiram mais três finais, com o 1º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube a atingirem a última etapa da Taça de Confederação, e só não inscreveram o nome de Angola na galeria dos grandes campeões, por falta de sorte e alguma matreirice. O Girabola, que já é  uma marca no continente e não só, tem sido gerido como se de uma competição amadora se tratasse, e os resultados estão aí à vista de todos e as consequências a recaírem às equipas, que na altura representavam o país nas provas além fronteiras.
 Augusto Panzo