Faltaram gritos de golo

As duas maiores equipas do país e as mais tituladas do Girabola, com 11 e 15 títulos, respectivamente, defraudaram todos quantos esperavam por um desafio à altura dos seus requisitos.

O clássico do futebol nacional não correspondeu à expectativa. O 1º de Agosto e o Petro de Luanda, as duas maiores equipas do país e as mais tituladas do Girabola, com 11 e 15 títulos, respectivamente, defraudaram a todos que esperavam por um jogo à altura dos estatutos dos dois conjuntos.
Um jogo muito táctico, com as duas equipas a jogarem em função do erro do adversário, a partida de cartaz da jornada valeu só pela emoção nas bancadas, e por um ou outro recorte técnico. O empate foi o resultado mais justo para os dois crónicos candidatos, que viram-se privados das peças importantes de cada uma das equipas. 
Os militares manifestaram mais a intenção de vencer. Quando acontece num jogo entre equipas do mesmo nível, torna-se difícil assistir a um grande espectáculo, daí, explicar-se o facto do 75º clássico não satisfazer os anseios dos que esperam mais, destes dois colossos do futebol nacional.
Sem dois jogadores influentes, na manobra do seu conjunto, o médio Job e o defesa -central Wilson, os tricolores adoptaram postura mais defensiva, reagiam apenas aos ataques agostinos, que nesse capítulo, foram demasiado perdulários.
A responsabilidade do dérbi teve um efeito negativo às duas equipas. Quando se esperava por um grande espectáculo, os jogadores acusavam muita pressão e tiveram dificuldades de desbobinarem o seu futebol. O primeiro tempo esteve aquém do esperado, aguardava -se pela segunda metade.
A emoção tomou conta dos atletas, que perdiam muitas bolas, erravam passes, inclusive os curtos, e acumulavam um grande número de faltas para os dois lados.   
O excesso de rigor, nos sistemas tácticos, contribui para que o jogo não fluísse como se pretendia. Os jogadores não encontravam caminhos para causarem perigo nas balizas defendidas por Neblú e Gerson.
Apesar, do 1º de Agosto terminar o primeiro tempo com mais posse de bola, a situação não se traduziu em ocasiões de perigo para o último reduto petrolífero, em que Elio comandava as operações.
No segundo tempo, Fofó testou os reflexos de Gerson, rematou de fora da área para uma grande defesa do guarda-redes tricolor, que negou o golo ao avançado militar, que se preparava para festejar. Diga-se, que o avançado militar, esteve inconformado no jogo.
Depois de ter sofrido uma contrariedade no primeiro tempo, com a lesão do avançado nigeriano Razaq, que cedeu o lugar ao congolês democrático Jacques, no segundo tempo voltou a passar pela mesma situação, com a saída prematura de Fofó, substituído por Buá.  
Do lado dos tricolores, o revés foi a expulsão do técnico Beto Bianchi, alegadamente por constantes reclamações com relação à equipa de arbitragem. No lance a seguir, a sua equipa quase sofreu o primeiro golo, numa jogada rápida do ataque militar, em que Ibukun rematou para defesa de Gerson. Foi a segunda expulsão do hispano -brasileiro em dérbi dos dérbis.
O 1º de Agosto parecia estar muito mais interessado em ganhar o jogo. Atacou mais. Rematou mais e arriscou mais, sobretudo, no segundo tempo. Os militares procuraram sempre desfazer o nulo no marcador e com isso, ganhar o jogo, ante à postura de contenção dos tricolores.
O empate nulo, acabou por penalizar mais o 1º de Agosto, pelo fluxo de oportunidades que tiveram ao longo dos 90 minutos, partida em que o extremo Geraldo se destacou do lado dos militares, e o guarda-redes Gerson foi a muralha do lado oposto.
A ausência do capitão Dani Massunguna não se fez sentir, pois, Bobó e Yisa souberam anular os avançados petrolíferos, Manguxi e Tiago Azulão. Contudo, os rubro - negros devem ter ressentido da ausência do médio Mongo, que falhou o jogo por lesão.
O apito do árbitro Rodrigues Aleixo, contestado pelas duas equipas, selou o nulo em mais um clássico, aumentou o número de empates entre os dois maiores emblemas nacionais, agora em número 21, mantêm-se às 31 vitórias dos petrolíferos contra as 23 dos rubro - negros. 


CABINAS
Técnicos divergem
na avaliação

O empatou foi um mal menor para as duas equipas, embora, o técnico do 1º de Agosto, Zoran Maki, admita que merecia resultado melhor, pois, os militares fizeram por vencer, enquanto o adversário se limitou a defender.
 “Vimos um grande jogo, em que apenas uma equipa tentou ganhar, que foi o 1º de Agosto. Tivemos o domínio na primeira e na segunda parte. Criamos oportunidades, mas não marcamos e o último lance foi duvidoso, em minha opinião foi pénalti”, avaliou.
Afirmou com convicção que “o jogador do Petro jogou a bola com  a mão dentro da grande área. Vimos no jogo do Real Madrid -Juventus que marcou-se pénalti aos 94 minutos. Dou os parabéns aos meus jogadores, praticamos bom futebol, não tivemos a estrelinha da sorte, vamos levantar a cabeça e trabalhar”, disse.  
Do lado do Petro de Luanda, o técnico - adjunto, Maurício Marques, considerou o empate um resultado aceitável. “O empate foi uma consequência do jogo e sabemos que existia a possibilidade de vitória, derrota ou empate”, precisou.
Sublinhou mais adiante, que “aconteceu mais uma vez o empate, foi um grande jogo, não foi tão táctico como o desafio passado com o Recreativo do Libolo. Foi uma partida muito disputada, houve lances de jogadas individuais e acabou por acontecer o empate mais uma vez. Para nós, não é de todo mau, esse empate. Somos a única equipa que ainda não perdeu, temos a melhor defesa do campeonato e praticamos um bom futebol”, enalteceu.