Angola quer brilhar em Marrocos

O melhor do futebol de salão africano começa a ser jogado a partir de amanhã até ao próximo dia 7 de Fevereiro, nas cidades marroquinas de Laâyoune e Casablanca, competição em que os angolanos almejam fazer melhor do que nas duas participações anteriores. Oito selecções, subdivididas em dois grupos, disputam no espaço de onze dias, o maior troféu do futsal continental.    

O melhor do futebol de salão africano começa a ser jogado a partir de amanhã até ao próximo dia 7 de Fevereiro, nas cidades marroquinas de Laâyoune e Casablanca, competição em que os angolanos almejam fazer melhor do que nas duas participações anteriores. Oito selecções, subdivididas em dois grupos, disputam no espaço de onze dias, o maior troféu do futsal continental.  

Quis o destino que Angola fosse enquadrada no grupo B, ao lado do Egipto, \"papão\" de títulos da competição, com três troféus conquistados nas edições de 1996, 2000 e 2004, feitos que projectam os faraós à condição de potenciais favoritos ao primeiro lugar da presente edição. 

Se, por um lado, a selecção nacional pode preocupar-se com o facto de ter calhado no mesmo grupo em que figura a selecção mais titulada, por outro, deve dar-se por feliz pelo facto de ter escapado ao agrupamento de Marrocos, equipa anfitriã e detentora do título, conquistado em 2016, tendo superado na final, curiosamente, o conjunto do Egipto.

Uma avaliação aos grupos do CAN, permite chegar a fácil conclusão de que existe um equilíbrio em termos de distribuição de selecções. No grupo A, composto pelas equipas do Marrocos, Ilhas Maurícias, Líbia e Guiné Equatorial, o favoritismo pende para os marroquinos e líbios, com um título conquistado, enquanto maurícios e equatoguineenses terão a obrigação de contrariar as previsões.

 Já no grupo B, em que perfilam Angola, Egipto, Moçambique e Guiné Conacri, apenas os tricampeões egípcios partem como favoritos à fase seguinte, ao passo que a discussão pelo segundo lugar ficará à cargo do tridente formado pelos angolanos, moçambicanos e equatoguineenses. Adivinha-se, por isso, uma enorme e interessante disputa pelos lugares de acesso às meias-finais  do CAN.

Amanhã, para o jogo de abertura do campeonato, referente ao grupo A, Guiné Equatorial e Ilhas Maurícias medem forças às 17h30, no Pavilhão Arena de Hizam Hall, enquanto a anfitriã Marrocos defronta a Líbia, às 21h00, no mesmo recinto. 

ESTREIA

O grupo começa a ser disputado na quarta-feira, com as selecções do Egipto e da Guiné Conacri a abrirem as \"hostilidades\", às 17h30, no Arena de Hizam Hall, dia que a selecção angolana faz igualmente a sua estreia. 

O jogo de Angola, diante da sua congénere de Moçambique, duelo lusófono da prova, está agendado para as 21h00, igualmente no Arena de Hizam Hall, em Laâyoune, desafio em que os comandados de Benvindo Inácio esperam começar com vitória para facilitar a missão na sua terceira participação em um CAN da modalidade.  

Os angolanos estão motivados e bastantes confiantes na obtenção de uma vitória na estreia, assim como no jogo a seguir, diante da Guiné, para atingir às meias-finais da competição, chegar à final, lutar pela conquista do ceptro e garantir presença no Mundial da modalidade. 

Conjunto mostra confiança 
O seleccionador, dirigentes e jogadores do combinado nacional depositam enorme confiança na  terceira participação da selecção na fase final do Campeonato Africano das Nações de futsal. E, parafraseando o seleccionador Benvindo Inácio (ver texto à parte), Angola está hoje melhor preparada e mais experiente em relação às edições anteriores, facto que permite aspirar por um excelente brilharete nas \"quadras\" marroquinas. O histórico da selecção angolana no CAN de futsal não mente e os números ajudam a dissipar qualquer dúvida. Em duas participações (em 2008, na Líbia, e em 2016, na África do Sul), os angolanos realizaram nove (9) jogos, sendo um empate, quatro vitórias e igual número de derrotas.  Na duas competições disputadas, os angolanos marcaram 38 golos e sofreram 36. O maior triunfo conseguido por Angola na competição africana aconteceu na edição de 2008, frente a África do Sul, por 8-4, ao passo que a maior derrota foi diante da Zâmbia, curiosamente, também por 8-4. A selecção nacional desembarca hoje, por volta das 10h30, na cidade marroquina de Laâyoune, palco da disputa da fase de grupos, com uma delegação integrada por 23 elementos e chefiada pelo presidente da Federação Angolana de Futebol de Salão (FAFUSA), Noé Alexandre, entre os quais 14 atletas, nomeadamente Chico e Neblú (guarda-redes), Leo, Edilau, Man Tó e Mano Sele (fixos), Caluanda, Prado, Jó, Osna, Nonó, Nuno, Dias e Bebucho (alas). 
\"Ganhar o CAN seria espectacular\"   
O seleccionador nacional de futsal, Benvindo Inácio, acredita que Angola tem condições para vencer o CAN 2020 , que inicia amanhã, em Marrocos, desde que seja capaz de, pela primeira vez, alcançar a segunda fase da competição. Falando em conferência de imprensa, no âmbito de uma antevisão às possibilidades da selecção no campeonato africano, o seleccionador  fez questão de afirmar que ninguém, entre os angolanos, está proibido de sonhar com um feito inédito no histórico do futsal nacional.  \"O objectivo inicial traçado pela direcção da FAFUSA e pela equipa técnica é passar a outra fase e depois, na meia-final, vamos tudo fazer para ver se conseguimos ultrapassar o adversário que nos calhar. Se passarmos, tudo faremos para ganhar o campeonato africano. Sonhar não é proibido e estamos a alimentar este nosso sonho, mas primeiro queremos passar da primeira fase, porque os três primeiros lugares dá-nos o apuramento ao Mundial. Já estaríamos satisfeitos, mas se ganharmos, melhor ainda, seria espectacular\", disse.  O seleccionador nacional justifica o seu optimismo com o facto de a selecção ter cumprido um ciclo de preparação que, mesmo não sendo dos melhores, por razões alheias à vontade da FAFUSA, permitiu dotar os jogadores de níveis físicos e ritmo competitivo desejados. \"Serão três jogos na primeira fase muito difíceis, mas temos a plena certeza que vamos fazer de tudo para passarmos à outra fase. Como são três jogos em seis dias, os jogadores devem estar preparados com um volume de jogos ao nível mais elevado. O organismo deles está a reagir bem e acredito que mais dois ou três dias estarão melhor para fazer qualquer jogo e com qualquer tipo de ritmo\", esclareceu.  Benvindo Inácio sublinhou, a finalizar, que o grupo está muito bem fisicamente, embora alguns atletas com algumas mazelas, passageiras, como é o caso do Nuno, mas admite serem próprias do volume de treino submetido aos jogadores durante a preparação. \"Tudo vai passar e os nossos jogadores estarão bem no momento dos jogos. Viemos de uma sequência de jogos bastante tensos e avisamos os jogadores que os últimos jogos seriam muito mais difíceis. Acredito que os nossos atletas estão com alguma carga necessária, para quando chegar o momento dos jogos do campeonato, estarem mais leves\".                                                               PC                                                                                                                                 PC