Dia do CHAN

A Selecção Nacional faz a sua estreia na terça-feira com o Burkina Faso. Marrocos e Mauritânia abrem a competição, hoje, jogo marcado para as 20h00.

O "rei futebol" volta a preencher o espaço dos povos africanos com o início hoje da V edição do Campeonato Africano das Nações-CHAN'2018, que tem como sede o Reino do Marrocos. Um total de 16 selecções se perfila na linha de partida para a disputa do título em posse da República Democrática do Congo, ausente do torneio, logo, sem possibilidade de defendê-lo.
Espera-se por uma disputa que prestigie a competição, que mesmo não contando com valores que actuam em campeonatos fora do continente, pela sua especificidade, tem sido marcada por muita emoção nas edições já disputadas até aqui. Aliás, se as equipas investiram na preparação foi tendo em conta a importância que conferem à prova.
Aliás, selecções de referência no futebol africano, a exemplo dos Camarões, actual campeão africano (do CAN), estão em Marrocos para mostrar aquilo que valem e a arte do seu futebol. É esta particularidade que promete conferir à prova que se disputa nas cidades de Casablanca, Marrakech, Tanger e Agadir maior expressão competitiva.
Claro está que no universo das 16 selecções não encontramos equilíbrio em termos de nível de maturidade, havendo aquelas que podem ser tomadas como de primeira linha, outras de segunda e outras ainda de terceiro plano. Mas não sendo o futebol uma ciência com respeito à lógica e à matemática, muitas vezes o bom senso aconselha a observação de alguma prudência na emissão de prognósticos.
Seja como for, pensamos que não há como não apontar selecções como Marrocos, Camarões, Nigéria e Costa do Marfim como favoritas à conquista do título. À partida, qualquer uma detém favoritismo a nível do seu agrupamento, podendo ver-se o resto lá mais para frente. Ou seja, na fase crucial em que não se recomendam facilidades, dado às circunstâncias da mesma.
Entretanto, as surpresas não ficam fora das equações que fazemos aqui. Infelizmente, o que se constata é que escapa a sensação de as equipas não apostarem muito no CHAN. Só, pois, assim se justifica que em quatro edições disputadas, dos principais gurus do futebol africano apenas a Tunísia aparece na lista dos campeões.
O caso mais bizarro foi da Costa do Marfim, que na primeira edição sequer logrou passar da fase de grupos, mesmo apresentando-se na condição de anfitriã. Esperamos que se valorize mais este torneio ao lugar de tomá-lo, como nos dá a entender, uma ante-câmara do CAN que acontece um ano mais tarde e com outra grandeza, quer competitiva quer mediática.
Entretanto, é um dado adiquirida que algumas selecções, que  em Junho e Julho do presente ano terão o privilégio de desfilar no Campeonato do Mundo na Rússia, vão aproveitar a presença no Chan para avaliar a sua prestação, sendo que logo a seguir à competição começa a preparação de maior cimeira do futebol à escala planetária.
Assim, selecções como do Marrocos e Nigéria, as únicas duas presentes em Marrocos, vão tratar de espalhar o perfume da sua classe, quanto mais não seja uma forma de justificar a legitimidade da sua qualificação. Por tudo isso, há evidências de termos um torneio disputado até ao limite, esperando-se apenas que o fair-play se faça presente e que os jogos sejam ganhos dentro das quatro linhas que delimitam o rectângulo de jogo.
 O nosso país, que já disputou uma final, quando em 2011 a prova se disputou no Sudão, é dos 16 presentes, esperando-se que, ao contrário da edição passada, venha ter uma prestação que nos dignifique a todos. Isto é, que se demarque daquilo que foi a vergonha da edição anterior. Portanto, a festa do futebol começa hoje. Tomemos os assentos na plateia para aplaudir os "artistas da bola".


JOGO INAUGURAL
Marrocos favorito
sobre a Mauritânia

Ao folclore e a outros quês alegóricos, que, regra comum, caracterizam as cerimónias de abertura de grandes eventos desportivos, seguir-se-á o jogo inaugural  da competição, envolvendo as selecções do Marrocos e da Mauritânia, ambas inseridas no Gupo A que integra igualmente Sudão e Guine Conacry.
Talvez por aquilo que caracteriza os primeiros jogos, se esperasse por um emparceiramento mais atractivo, ou mais equilibrado. Mas quis o capricho do sorteio que fosse a Mauritânia a primeira a entrar em acção com o anfitrião. O desnível em termos de maturidade competitiva entre as equipas quase que esvazia o impacto do jogo.
Desde já, não há razões fundadas para se colocar dúvidas ao favoritismo da selecção marroquina, uma das mais quotadas do futebol africano e bem posicionada no ranking. Em resumo, teremos de um lado uma selecção com timbre mundializada e de outro uma que em pleno Século XXI ainda anda à procura de um lugar ao sol. É que não há a mínima comparação ente as equipas em temos de valores.
Tudo quanto saibamos, a Mauritânia tem pouca experiência internacional, sendo que este CHAN é a sua primeira presença num torneio continental de grande escala. Do seu palmarés não consta nenhuma participação  em CAN. O seu primeiro contacto internacional aconteceu em 1961 em Abidjan, num particular com Madagáscar, tendo perdido por 5-1. O seu pior resultado foi uma pesada goleada de14-0 com a Guiné Conacry.
Portanto, o desencontro nos números entre os adversários não ajuda a fazer uma previsão despida de favoritismo ao Marrocos, ainda que o bom senso aconselhe que é na quadra de jogo onde se mede o peso e o valor do adversário. Pode ser que desta vez venha mostrar o seu outro lado. Mas, para fim de conversa, Marrocos é, a todos os títulos, favorito no jogo de hoje.


EMBAIXADORES
CAF nomeia figuras

A Confederação do Futebol Africano nomeou três embaixadores para a fase final do Campeonato das Nações Africanas Total, Marrocos 2018. São jogadores africanos que fizeram toda ou parte da sua carreira no continente africano.
O marroquino Noureddine Naybet, o congolês Robert Kidiaba e o tunisino Adel Chedli são as figuras indicadas. Os dois últimos inscreveram o seu nome na lista de vencedores do CHAN em 2009 e 2011, respectivamente.
Vencedor da primeira edição do CHAN, a 8 de Março de 2009, Robert Kidiaba Muteba ficou famoso pelas suas performances no cenário continental e mundial, tanto com o seu clube, TP Mazembe, como com os Leopardos do Congo. Ele também se distinguiu pela sua maneira singular de celebrar as vitórias da sua equipa, usando a tracção das suas pernas e braços para mover-se.
A 25 de Fevereiro de 2011, em Cartum, no Sudão, Adel Chedli torna-se o primeiro jogador da história a ganhar o CAN-CHAN duplo. Após a consagração de 2004 com o Carthage Eagles na Taça das Nações Africanas em casa, ele ganhou o CHAN com uma vitória clara contra Angola na final (3-0).
Noureddine Naybet  nasceu em Casablanca, cidade onde ganhou os seus primeiros louros com o Wydad Athletic Club. Em particular, uma Liga dos Campeões da CAF em 1992, antes de continuar A sua carreira na Europa. Por dezesseis anos, foi seleccionado para mais de uma centena dos Atlas Lions.


EX-SELECCIONADOR
Filemon defende rigor táctico

O antigo seleccionador nacional de futebol, Romeu Filemon, apelou aos atletas da selecção nacional a dominarem com rigor a disciplina táctica durante os jogos no CHAN do Marrocos, que tem início hoje, se quiserem cumprir com o objectivo de pelo menos atingir os quartos-de-final.
Falando à Angop sobre a participação dos  Palancas Negras na competição africana reservada aos jogadores que actuam nos seus respectivos países, disse augurar uma boa prova para os angolanos, no entanto, o conjunto terá de redobrar esforços, saber combinar a cultura táctica com talento individual para poder atingir a fase seguinte.
Para si, os atletas terão de entrosar-se bem ao esquema táctico e técnico do treinador.


PAÍS ORGANIZADOR
Dados e números do anfitrião

Marrocos é um país localizado na região do Magrebe, no norte da África. Geograficamente é caracterizado por um interior montanhoso acidentado, grandes extensões de deserto e um vasto litoral ao longo do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo.
Tem uma população de mais de 33,8 milhões de pessoas e uma área de 446.550 quilómetros quadrados. A sua capital é Rabat e a maior cidade é Casablanca. Um poder regional historicamente proeminente, Marrocos tem uma história de independência não compartilhada pelos seus vizinhos. Desde a fundação do primeiro Estado marroquino por Idris I em 788, o país foi governado por uma série de dinastias independentes, atingindo o seu zénite sob as dinastias almorávida e almóada, abrangendo partes da Península Ibérica e noroeste da África.
As dinastias Merínida e Saadiana continuaram a luta contra a dominação estrangeira e Marrocos continuou a ser o único país do Norte de África a evitar a ocupação pelo Império Otomano. Em 1912, Marrocos foi dividido em protectorados franceses e espanhóis, com uma zona internacional em Tânger, e recuperou a sua independência em 1956.
Marrocos é uma monarquia constitucional com um parlamento eleito. O Rei de Marrocos tem vastos poderes executivos e legislativos, especialmente sobre os militares, a política externa e os assuntos religiosos. O poder executivo é exercido pelo governo, enquanto o poder legislativo é investido tanto no governo como nas duas câmaras do parlamento, a Assembleia de Representantes e a Assembleia de Conselheiros.
O rei pode emitir decretos chamados dahirs que têm força de lei. Ele também pode dissolver o parlamento depois de consultar o primeiro-ministro e o presidente do Tribunal Constitucional.
A cultura marroquina é uma mistura de árabes, berberes nativos, Africano subsaariano e influências europeias. A religião predominante é o islã e as línguas oficiais são o árabe e tamazight. O dialecto marroquino, referido como Darija, e o francês também são falados extensamente. Marrocos é membro da Liga Árabe, da União para o Mediterrâneo e da União Africana.
Tem a quinta maior economia do continente africano. O país reivindica o território do Saara Ocidental como as suas províncias do sul. Em 1975, o país anexou o território.


GRUPO A Casablanca

Marrocos Mauritanie hoje
Guinée Conacry Sudão dia 14
Marrocos Guinée dia 17
Sudão Mauritânia dia 17
Sudão Marrocos dia 21
Guiné Conacry Mauritânia


GROUPE B Marrakech
Costa do Marfim Namíbia dia 14
Zâmbia Uganda dia 14
Costa do Marfim Zâmbia dia18
Uganda Namíbia dia 18
Uganda C.Marfim dia 21
Namíbia Zâmbia dia 21


GRUPO C Tanger
Libye G.Equatorialdia 15
Nigeria Rwanda dia 15
Libye Nigeria dia 19
Rwanda G.Equatorial dia 19
Rwanda Libye (dia 23
G.Equatoriale Nigeria (dia 23)


GROUPE D Agadir
Angola Burkina Faso dia 16
Camerões C.Brazzaville dia 16
Angola Camerões dia 20
Congo Brazzaville-B.Faso dia 20)
Congo Brazzaville-Angola dia 24
B. Faso Camerões dia 24