Uragan dispara contra “Apoló”

O consenso na família de judo nacional está longe de ser realidade. Depois de apelar à união da família, no dia da tomada de posse, o presidente da Federação Angolana de Judo, Paulo Nzinga, é acusado pelos agentes desportivos como o fomentador da divisão, numa estratégia de dividir para melhor reinar. A sustentação da gestão é justificada pela maneira "pouco cortês" como afastou a equipa técnica da selecção nacional à véspera da viagem para Tunísia, palco do Campeonato Africano. Os Mestres Yuri Paim e Hélder Camindo ficaram em terra sem as explicações da Federação Angolana de Judo

Em defesa da honra, da dignidade do judo e no uso de direito à resposta, o responsável da Escola de Judo Uragan, Caetano Domingos, acusa a direcção de Paulo Nzinga de fomentadora \"do mal que enferma o judo nacional\". O Mestre Caetano sustenta que a falta de condições de trabalho da selecção nacional é uma responsabilidade da Federação e não da Escola Uragan. As péssimas condições em que trabalhou a selecção nacional se deveu à falta de \"visão estratégica\" da  direcção.
\"Em nenhum  momento, a direcção de Paulo Nzinga contactou a Escola Uragan para a cedência do nosso espaço à selecção nacional. Nunca fechamos a porta a nenhuma instituição que solicite aos nossos préstimos, muito mais a Federação, a quem temos obediência\", disse.
Caetano Domingos reiterou que \"Paulo Nzinga está cansado e a sua liderança já não responde aos desafios do judo, depois de muitos anos a promovê-lo\".
O responsável esclareceu que a cedência do ginásio da escola Njinga Mbandi ocorreu \"depois de uma solicitação da Escola Uragan feita à direcção daquela instituição escolar e não através da Casa Civil da Presidência da República, conforme declarou Paulo Nzinga\".
\"Apresentámos a solicitação à direcção da Escola para explorar o ginásio no âmbito da expansão do desporto escolar. Pretendemos que o judo também conste das modalidades do desporto escolar pelo número de alunos praticantes. Nunca usámos as duas instituições do Estado (Casa Civil do PR e Ministério da Educação) para beneficiar do espaço. Temos aqui a cópia que comprova a solicitação\", esclareceu Caetano Domingos.
Caetano Domingos sustentou que \"Paulo Nzinga deixou de usar o ginásio da escola Njinga Mbandi há mais de 16 anos, quando era apenas um promotor e não presidente da Federação\".
\"Paulo Nzinga teve um desentendimento com o director adjunto daquela instituição escolar e foi-lhe fechado às portas por ingratidão e falta de um acordo escrito. Desde então, nunca manifestou a intenção de resgatar o espaço nem se aproximar da direcção escolar\", explicou.
O responsável da Escola Uragan afirmou que \"Paulo Nzinga não foi humilde e não contactou a Uragan para se informar sobre o uso do espaço\".
\"Não esperava dele a inverdade, pois não tem provas para comprovar as acusações feita contra a mim. Não tenho em minha posse e não recebi nenhum documento do Ministério da Educação que permita à selecção nacional de judo o uso do ginásio da Escola Njinga Mbandi. Isso é uma mentira\", disse.
Para o bem da modalidade, Caetano Domingos apela ao Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) a monitorar o desporto e promover as valências. As reclamações dos agentes desportivos devem ter respaldo do Minjud por ser uma modalidade com grande progressão em África.
\"O judo pode ser o desporto mais medalhado do país, mas está a faltar a organização. O líder da Federação é o maior desestabilizador quer administrativo quer técnico e é o promotor de conflitos\", disse.
No seu primeiro mandato, Paulo Nzinga travou uma \"batalha\" contra o presidente cessante por causa de \"equipamentos cedidos pela Federação japonesa\". Agentes do desporto defendem que se lhos fosse cedido, teria dado um outro destino para benefício próprio.


APETÊNCIA
Destino de dinheiro é motivo de desavenças

A gestão da Federação Angolana de Judo tem históricos arrepiantes. A luta pelo dinheiro tem sido o motivo de desavenças. Durante o primeiro mandato de Paulo Nzinga e dos seus antecessores, rios de tinta preencheram a imprensa. O actual presidente trava conflitos com associados. O mais recente ocorreu com a realização do campeonato nacional no final do ano passado. Alguns agentes apontam que o evento foi sustentado com dinheiro de uma empresa do ramo marítimo, que patrocinou o evento.
Caetano Domingos afirmou que \"o Minjud atribuiu dinheiro à Federação de Judo no final do ano passado para o campeonato nacional, mas a verba desapareceu sem explicação\". A justificar a falta de dinheiro é \"a selecção nacional viajar para a Tunísia no mês corrente sem apoio da Federação\".
\"Tenho conhecimento que pessoas de boa fé tiveram de pagar as licenças dos atletas e a cota de participação de Angola no Campeonato Africano. Onde está o dinheiro recebido no ano passado?\", questionou.
A prática de esbajamento de dinheiro é antigo na Federação. Caetano Domingos recorda do Mundial de Brasil de 2013.
\"Na delegação em que constava eu, Antónia de Fátima \'Faia\', Casimiro Bento, Ângelo António, Nayr Garcia, Hélio e outros tivemos de abandonar o hotel por falta de dinheiro três dias depois de alojamento. Paulo Nzinga, na qualidade de chefe da delegação e presidente da Fajudo, alegou não tiver dinheiro. Depois de uma conversa particular comigo, tive de ligar à minha esposa para que enviasse dois mil dólares na conta da Faia. O dinheiro serviu para custear as despesas de alojamento num hotel mais barato até o nosso regresso ao país. A comida foi custeada por Casimiro Bento. A promessa de Paulo Nzinga era de que me pagaria em Angola. Até hoje, resta pagar 500 dólares. O restante pagou em kwanzas\", recordou. O que deixou triste Caetano Domingos \"foi ver Paulo Nzinga e outros a fazerem compras no Shopping no último dia\".
\"Fiquei sem palavras para compreender o que se passava. O cartão Visa da Faia estava com Paulo Nzinga e limitei-me a assisti-lo. Doeu-me muito\", disse.

O responsável da Uragan diz que o presidente de direcção da Fajudo passou a \"ingrato\" junto de \"pessoas que o ajudaram no dirigismo desportivo\".
O Jornal dos Desportos procurou ouvir a versão de Paulo Nzinga, mas não atendia as chamadas telefónicas.                                                              
LIDERANÇA
A família de judo deve rever a postura

Face à conduta de Paulo Nzinga na gestão da Federação, Caetano Domingos apela aos demais agentes desportivos a reverem a postura tomada antes das eleições de renovação de mandatos para o bem da modalidade.
\"Hoje, o judo está dividido. Um grupo quer trabalhar, mas Paulo Nzinga cria desequilíbrio. A selecção nacional viajou e a direcção não deu a conhecer os treinadores escolhidos. Sancionou a equipa técnica que trabalhou com o grupo durante quatro meses sem os ouvir. Isso não é ético. O seleccionador e o adjunto foram despedidos através de Jornal de Angola. Isso só cabe na cabeça de quem desconhece a ética\", disse. Caetano Domingos vai mais longe.
\"Apelo a Paulo Nzinga a colocar o lugar de presidente de direcção da Fajudo à disposição de sangue novo. Chegou a hora de mudança para se corrigir o que está mal. Queremos desenvolver o judo com políticas coerentes\", reiterou.
O responsável da Uragan sustenta que a modalidade pode estar unida sem Paulo Nzinga.
\"Apelo aos seguidores do Mestre Apoló a reverem as suas posições. O momento é diferente. Olhem para o futuro do nosso desporto. Ele tinha tudo para sair bem, mas está a forçar o uso do direito dos associados\", disse.
Caetano Domingos estende o apelo às Associações provinciais, as unidades mais importantes da promoção e expansão do judo no país.
\"As associações provinciais devem rever-se no futuro. O crescimento dessas instituições depende da boa organização da Federação. Vamos reflectir para avançar. O judo precisa de política de desenvolvimento e não de pessoas que aproveitam a desorganização para o benefício próprio\", frisou.

O também treinador sustenta que \"a Escola Uragan é uma instituição sem fins lucrativos que busca promover a boa organização para que se alcance medalhas nos campeonatos africanos e mundiais. A desorganização estraga sonhos\".
PRESTAÇÃO
Faltou apoio psicológico à Neide

A prestação de Neide Diassonema no Campeonato Africano de Judo, terminado na Tunísia, teria sido melhor, se tivesse acompanhamento de um psicólogo. A apreciação é de Caetano Domingos, responsável da Escola Uragan.
O promotor e treinador de judo sustenta que as declarações da Neide prestada ao Jornal dos Desportos, antes da viagem, espelha a preocupação que tinha para enfrentar as atletas mais fortes do ranking continental.
\"A selecção nacional deve ter apoio psicológico, médico, logístico e técnico para enfrentar as adversidades da competição. As declarações de Neide prestada a esse Jornal reflectem a importância de especialistas no acompanhamento dos integrantes. A nossa atleta emitiu fragilidade emocional antes de combater. Infelizmente, perdeu o primeiro combate, porque não havia ninguém com experiência nesse ramo do saber para animá-la\", disse.
O responsável sustentou que \"o trabalho psicológico é importante para a conquista de mérito, para isso, a Federação deve usar mecanismos de evolução, um programa de curto, médio e longo prazo\".
Caetano Domingos fundamentou que \"o banco de dados do atleta é importante para que se acompanhe o estado de saúde, capacidade técnica e potência de rendimento\". Nesse quesito, esclarece que \"a menstruação tem implicações no baixo rendimento da atleta e há a necessidade de se repor a energia perdida através de trabalho psicológico\".


LEGALIDADE
Direcção eleita aguarda homologação

A funcionalidade da direcção de Paulo Nzinga não tem respaldo junto do Ministério da Juventude e Desportos. O órgão reitor do desporto no país ainda não homologou os resultados das eleições realizadas na Federação Angolana de Judo a 10 de Dezembro de 2017.
Em declarações ao Jornal dos Desportos, Paulo Nzinga disse que o atraso na homologação inviabiliza o exercício das suas funções no que concerne aos contactos com os potenciais patrocinadores da Federação.
\"Encontrámos dificuldades para assinar um acordo com uma empresa que queira patrocinar o nosso desporto por falta de homologação da nossa eleição\", disse.
Em busca de esclarecimentos, o Jornal dos Desportos contactou a Direcção Nacional dos Desportos, através do seu titular, Nicolau Daniel. O responsável da instituição governamental disse que a homologação vai ser uma certeza nos próximos dias.
\"O atraso deveu-se a questões processuais. Depois de avaliarmos o processo, constatámos que havia a falta de alguns documentos. Exigimos a entrega dos mesmos e tão logo fizeram, estamos em condições de homologar o processo eleitoral\", disse.               

                                      
CRIME DE DIFAMAÇÃO
Paulo Nzinga responde ao Tribunal

A acusação de Paulo Nzinga contra Caetano Domingos na qual afirma ter na posse de um documento do Ministério da Educação que autoriza a Federação Angolana de Judo usar o ginásio da Escola Njinga Mbandi, obtido através da Casa Civil da Presidência da República, vai custar-lhe uma queixa junto do Tribunal Provincial de Luanda. O presidente da Federação Angolana de Judo vai responder aos crimes de difamação e de injúria.
Em entrevista ao Jornal dos Desportos, o responsável da Escola Uragan, Caetano Domingos, afirmou que o advogado do clube está a proceder às demarches legais para que intenta uma acção junto do Tribunal.
\"Paulo Nzinga vai ter de provar junto de um juiz em que momento recebi a documentação do Ministério da Educação, por via da Casa Civil da Presidência da República, que faz alusão da cedência do ginásio da Escola Njinga Mbandi à Federação\", prometeu.
Caetano Domingos apelou às instituições visadas \"para que procedam à mesma acção contra o presidente irresponsável da Federação Angolana de Judo\".