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Crise em Libolo

Ao longo da última década juntou-se ao leque dos emblemas desportivos mais expressivos do país, o Recreativo do Libolo, que não é uma novel agremiação.

Ao longo da última década juntou-se ao leque dos emblemas desportivos mais expressivos do país, o Recreativo do Libolo, que não é uma novel agremiação, personificou o ressurgimento de uma colectividade que  existiu no tempo da outra senhora, tendo apenas, e por razões que nos são alheias, suspenso a sua actividade.
O ressurgimento acabou, em boa verdade, por ser uma tremenda alegria para as gentes da província do Cuanza - Sul, particularmente dos naturais do município do Libolo, Calulo, que se disputam os jogos da equipa principal de futebol. O basquetebol, \"refugiou-se\" em Luanda, o que é aceite e pacífico.
Com uma eficiente política de gestão administrativa, o ressurgido Recreativo do Libolo muito cedo logrou conquistar um espaço privilegiado na praça desportiva.  Os êxitos competitivos sucediam-se nas duas modalidades em que se movimentava a agremiação. O futebol impôs-se no Girabola e o basquetebol fez a sua parte na competição.
Ao êxito interno, seguiu-se o êxito na praça internacional, no panorama africano particularmente. Pois, quer o futebol quer o basquetebol conseguiu níveis competitivos fabulosos nas prova continentais. Pode dizer-se que com o Recreativo do Libolo saudável, o desporto angolano em si saiu também a ganhar.
Entretanto, por razões de alguma estratégia que não se explica em poucas linhas, ocorreu em meados do ano passado uma divisão no seio do clube, ficou o Recreativo do Libolo, sob nova liderança, apenas com o futebol, o basquetebol foi adoptado por um novo emblema, que tomou a designação de Sport Libolo e Benfica.
Esta divisão parece que não foi benéfica para a colectividade do Cuanza-Sul, por aquilo que constatamos no dia-a-dia. A equipa de basquetebol quase que se desmembrou. Boa parte das principais unidades deixou a equipa, falou-se inclusive de dívidas colossais para com alguns. A equipa de futebol, temível outrora, é agraciada com volumosas goleadas como aconteceu na quarta jornada.
Logo, começa a desenhar-se evidências do fim de um império desportivo que conseguiu em tão pouco espaço de tempo, construir a sua reputação. O pior, ainda não ocorreu. A salvação da erosão do castelo é a nosso ver possível. Oxalá, pessoas vinculadas aos dois emblemas da vila de Calulo encontrem uma saída airosa para a crise e possamos ver o Libolo desportivo na máxima força, seja por via do Recreativo, seja por via do Benfica.