A crise fortalece o Marketing Desportivo!

As opiniões dos especialistas, comentaristas e líderes de opinião sobre a crise económica e financeira que o país vive continuam a ser díspares.

As opiniões dos especialistas, comentaristas e líderes de opinião sobre a crise económica e financeira que o país vive continuam a ser díspares.
Os da direita tidos como os mais radicais, também conhecidos como \"revús\" acreditam piamente de que estamos a passar por um dos piores períodos de recessão económica desde que Angola se tornou independente.
Já os de esquerda, considerados como os mais liberais, têm passado a mensagem de que temos de ter um olhar mais optimista - para não dizer poético e demasiadamente romântico para o meu (des)gosto sobre esta Angola -, atribuindo esse ponto de vista a diferentes factores não interligados a uma crise que até hoje ninguém tem a mínima ideia de como afectou a vida de todos os angolanos, desde o senhor de barriga cheia , até ao filho do \"pepá\" quem nem sequer consegue o pão para mandar o filho à escola .
É que, passados pouco mais ou menos de 2.000 dias, desde que em 2015 a crise passou a ser uma palavra constante e corrente no vocabulário de Angola, que se fala dela, da boca de quem fala do que ouviu, como também da boca de quem sabe de que a coisa está cada vez mais \"rija\", e também da boca de quem só sabe que em Angola existe crise.
Com a crise que estamos com ela, diversas empresas tiveram seus resultados aquém do esperado e, de alguma maneira, sentiram efeitos negativos nos seus negócios.
Este tipo de situação, mexe com a \"tampa\" das empresas, levando-as, o que é normal e natural, a adoptarem uma estratégia mais defensiva, principalmente no que tange ao sector de comunicação, repensando sua forma de se posicionar no mercado.
Mesmo diante de um cenário caótico, as empresas necessitam de foco para as acções ligadas à atracção, satisfação e fidelização de seu principal activo: o cliente.
É o cliente, a mais mutável das espécies da cadeia económica, que precisa estar no olho do furacão em tempos de recepção económica. E é justamente aqui que o \"casamento entre a fome e a vontade de comer\", pode funcionar sem se ter receio algum de que a morte os separe, beneficiando quer o tecido empresarial bem como a sociedade desportiva.
Principalmente em tempos de crise, o desporto é um dos principais veículos de comunicação das marcas para impactar o seu público-alvo, uma vez que parte significativa deste é consumidora de desporto.
É nestes períodos que os profissionais de marketing desportivo devem se destacar identificando os desafios que marcam o sector onde desenvolvem a sua actividade, e com isso definir estratégias que permitam potenciar as empresas que utilizam o desporto como canal de promoção dos seus produtos e serviços.
É verdade que os desafios são complexos, mas é aqui que temos de mostrar a nossa fibra e encarar as dificuldades como oportunidades. Para contrariar a tendência, devemos ser arrojados e, se necessário, disruptivos. A título de exemplo sugiro, o seguinte:
Sermos profissionais de marketing quer empresarial e desportivo criativo, que tenham coragem de correr riscos bem calculados, e não ter receio de inovar quando o assunto é a activação das marcas associadas ao desporto.
No futebol, por exemplo, os jogos do Petro de Luanda e do 1º de Agosto, movimentam um grande número de adeptos. Porque não existe uma marca que ofereça a estes adeptos, a possibilidade de, no próprio local do jogo, acederem gratuitamente à internet?
Seria uma excelente forma de potenciar a interacção do consumidor desportivo não apenas com a equipa da qual é fã, partilhando fotografias, vídeos e outros conteúdos nas suas páginas do \"facebook\" e do \"instagram\", mas também com a marca que lhe possibilita partilhar a paixão por esta mesma equipa.
O alcance desta acção, que não parece tão complexa e difícil de implementar, possibilitaria um \"engagment\" brutal e teria com certeza um enorme \"reach\", além de que estamos a ir de encontro a uma nova forma de consumir desporto, onde as pessoas, em tempo real, têm necessidade de partilhar o que fazem com os seus amigos.
Mas como interpretar esta sugestão, sobre as diversas perspectivas que se apresentam perante uma mesma realidade, mas com componentes tão diversas?
Zongo Fernando dos Santos *