A sobrevivência do futebol

O Atlético Sport Aviação (ASA) e o Progresso do Sambizanga são hoje os cartazes da crise financeira, que assola o futebol nacional. Por muitos anos têm sido as equipas das "províncias". Falta muito pouco para atingir os big tree. 

O Atlético Sport Aviação (ASA) e o Progresso do Sambizanga são hoje os cartazes da crise financeira, que assola o futebol nacional. Por muitos anos têm sido as equipas das \"províncias\". Falta muito pouco para atingir os big tree.
Ou seja, 1ºde Agosto, Petro de Luanda e o Interclube. Talvez só por essa altura é que os senhores do futebol irão sentar, para colocar fim à gestão actual do futebol. Um modelo construído na base de uma economia que o País já abandonou em 1991.Muitos clubes nasceram da necessidade das empresas ou sectores afins, oferecerem aos seus trabalhadores recreação. Os capitalistas traduzem isso em responsabilidade social das empresas. Mas o futebol que se pratica há duas décadas, mais anos menos anos, deixou de ser de recreação, é profissional, e com potencial para gerar milhões.
 Ou como se diz em Marketing, há um mercado à espera de consumir um produto com valor, de qualidade. Há pessoas dispostas em investir conhecimento, para virar da cabeça aos pés o actual quadro.
Falta, no entanto, outra parte com quem dialogar. Grande parte dos dirigentes aprenderam apenas a gerir o dinheiro alheio. Aquele que lhes é colocado em mãos pelas empresas ou instituições patrocinadoras. Talvez isso explica à falta de vontade, para modernizar o futebol e a sua gestão. Fazer dos clubes empresas com lucros. E cada vez mais, o País exporta dinheiro, por menor que seja.
  Quando alguns adeptos compram camisolas de um clube estrangeiro por cem dólares ou mais, e não o fazem em relação aos clubes nacionais de que são adeptos, é um dinheiro que se desperdiça.. Este é um dos cem exemplos. Disso resulta uma conclusão. O futebol precisa de um plano marshal.
 O futebol é um grande empregador. Gera milhares de empregos. É um sector que pode oferecer muitas receitas para os cofres do Estado.
 Não se pode crer que só os outros é que podem.
O que eles fazem diferente é o profissionalismo. Há argumentos de que o futebol e a sua qualidade dependem do desenvolvimento do país. Em parte sim.
Mas temos igualmente fartos exemplos de o futebol ter se adiantado ou ser pretexto, para chamar infra-estruturas como hotéis, estradas, transportes públicos e outros. Não foi o futebol que suscitou o boom de hotéis que o País conheceu? Não foi o futebol que precipitou a conclusão da via expressa? Não foi o futebol que permitiu ao município da Catumbela beneficiar de um aeroporto? Podíamos mais. Portanto, se o futebol fizer a sua parte, pode trazer consigo outros investimento. De outro modo, a principal competição do futebol nacional um dia pode acabar com metade de equipas. É inexplicável que se adie a liga eternamente. É um entrave ao desenvolvimento da modalidade. Teixeira Cândido