Girabola atípico mas necessário

O arranque do Girabola Zap 2018 é marcado, em grande medida pela forma que, excepcionalmente, este ano, será disputado. À cinco velocidades. De forma bastante atípica por variados motivos que a necessidade de acerto da calendarização imposto pela Confederação Africana de Futebol (CAF), explicam.

O arranque do Girabola Zap 2018 é marcado, em grande medida pela forma que, excepcionalmente, este ano, será disputado. À cinco velocidades. De forma bastante atípica por variados motivos que a necessidade de acerto da calendarização imposto pela Confederação Africana de Futebol (CAF), explicam.
O Girabola Zap deste ano terá uma duração de pelo menos 6 meses que para os seus integrantes será uma missão hercúlea para transporem esta barreira, numa prova exigente e ingente. Claro que, em todo esse processo, há vantagens e desvantagens.
Primeiramente as vantagens inscrevem-se no facto de esta aceleração proporcionar no “day after” (no amanhã; no dia seguinte), um alento grande porque estaremos igualados, em termos de tempo, com as competições da CAF e não haverão mais discrepâncias capazes de nos provocarem desníveis, principalmente em sede de participação das equipas nacionais nas Afro-Taças. No que as desvantagens dizem respeito, haverão muitas, entre as quais, o facto de a prova levar uma velocidade estonteante que, se calhar, nem todos os integrantes da prova podem vir a aguentar; depois, porque, a crise aperta e empobrece em demasia os clubes modestos que, mesmo na fina-flor do futebol nacional, vivem pedinchando e chorando no ombro dos que muito têm. Aliás, foi esse o principal busílis que provocou que a disputa da Taça de Angola, excepcionalmente neste ano, fosse “sacrificada”, segundo se diz, “por razões óbvias” (?).
Ainda nesta perspectiva, há que se juntar as intempéries que a prova já carrega consigo e que, de certeza, serão incrementadas agora obviamente com velocidade “supersónica”, como as viagens (terrestres e aéreas), os treinos, a preparação de jogos, a logística, gestão dos planteis, as lesões, enfim, castigos federativos, etc., etc. Fica-se por se saber com que linhas as equipas se irão coser quando sabemos que, em situação normal, com um campeonato dentro dos padrões “tradicionais”, essas questões se colocam de forma avultada e em monta.
As equipas intervenientes terão que ter argumentos mil para aguentarem essa prova no deserto e, sobretudo provarem, por A+B, o quanto são fortes e capazes de aguentarem tamanhas intempérie que de certeza este “vulcão” irá causar. As grandes preocupações são somente cumprirem, por via da FAF, as exigências do órgão reitor do futebol africano que, por sinal, já as baixou há cerca de três anos, conjuntamente com as questões de licenciamento dos clubes que, como se constata agora, cá entre
nós, como que gostando de resolver as questões a última hora, se fez “ouvidos de mercador”.
Voltando ao Girabola Zap atípico, qual vulcão faminto, temos que sustentar que, quer os da linha da frente, 1º de Agosto, Petro de Luanda, Sagrada Esperança da Lunda-Norte, Kabuscorp do Palanca e Interclube; quer os da mediana, Progresso do Sambizanga, 1º de Maio de Benguela, Clube Desportivo da Huíla, Bravos do Maquis, Recreativos da Caála e do Libolo, como eventualmente as que à partida entram para lutarem pela permanência na divisão maior, nomeadamente Académica do Lobito, JGM do Huambo e as recém promovidas - Cuando Cubango F. C.; Domant F. C. e Sporting de Cabinda, todas elas viverão no problema. Viverão o problema, por estarem mergulhadas no problema. O problema é mesmo o Girabola atípico mas…..necessário (?)
O adepto comum, longe das entranhas dos clubes, longe da vivência absoluta dos tais problemas que a competição irá proporcionar, exige, com a sua camisola clubística, resultados do seu emblema do coração. Grita de paixão deixando-se arrastar pela multidão mas, o importante para ele é que a sua equipa vença, jogo após jogo e se sagre campeão. Isto se calhar, acaba por ser mais importante para o aficionado mas, não pode esquecer que o seu comportamento cívico e exemplar, é fundamental dentro das balizas do fair play, com espírito de preservação das infra-estruturas internas dos estádios que, diga-se, nos últimos tempos escasseiam. 
O Girabola Zap 2018 será atípico porque carrega a urgência nas costas. Há que terminá-lo em seis escassos meses, provavelmente em Agosto. Setembro, férias para os atletas, Outubro preparação da nova época, inscrições de atletas para em Novembro deste ano de 2018 dar-se início outra época futebolística, a de 2018/2019, terminando esta em Junho. Aí, a de 2019/2020 iniciaria em Agosto e estariam assim satisfeitas as exigências da CAF, igualando o início de todas as competições com as do Velho Continente.
O Girabola Zap 2018 pode ter “deficits” de competitividade das potenciais equipas e com isso, baixa qualidade. Haverá um grande “pressing” jornada após jornada, que pode retirar o “sumo” e a beleza do futebol praticado. Isso pode provocar um fraco desempenho dos árbitros que, igualmente pressionados, a cada jogo, podem baquear.
Não queremos ver equipa a jogar aos chutões como que: “bola pra frente e fé em Deus (…)” Queremos bom futebol. Queremos futebol vistoso. Queremos qualidade!
Vendo as coisas pelo lado positivo, esta pressão pode nos valer bastante, porque quem irá lucrar, será de certeza a nossa Selecção Nacional que têm pela frente empreitadas a doer com vista a participação no CAN 2019 dos Camarões e a consequente conquista da África do futebol.
Por isso, que venha o Girabola Zap 2018 e que seja até atípico. Tenho plena certeza que as 16 equipas integrantes saberão dar a volta por cima e ultrapassar com alguma naturalidade as intempéries que a prova trás.
Tenho dito!
MORAIS CANÂMUA