Elefantes brancos com muita fome

Hoje, neste espaço, ousamos trazer um assunto que já foi abordado amiúde, por outras sensibilidades, na maioria dos casos, pouco ou nada se faz. Pelo menos, a reacção de quem de direito parece tímida e pouco consistente. Trata-se das infra-estruturas desportivas, que em quase todo o país estão a cair aos bocados, e por via da crise, este “status quo” parece perpectuar-se.

Hoje, neste espaço, ousamos trazer um assunto que já foi abordado amiúde, por outras sensibilidades, na maioria dos casos, pouco ou nada se faz. Pelo menos, a reacção de quem de direito parece tímida e pouco consistente. Trata-se das infra-estruturas desportivas, que em quase todo o país estão a cair aos bocados, e por via da crise, este “status quo” parece perpectuar-se.
Mais grave do que tudo, são as de mega dimensão que foram erguidas e recuperadas na esteira da realização pelo nosso país, do CAN ORANGE 2010, esses sim, transformaram-se em autênticos “elefantes brancos” e nos dias que correm, com muita fome porque tal é o estado de abandono em que se encontram, que as próprias (infra-estruturas) já reclamam pelo menos, por  um poucochinho de atenção.
Se formos à profundidade do problema, poderemos aludir sem medo de errar, que aqui faltou, convenhamos, desde a primeira hora, uma estratégia bem delineada e estruturada para que terminada a competição, houvesse, então, o cuidado permanente e consequente em termos de manutenção para salvaguardar os empreendimentos que custou o dinheiro do povo.
Mais a mais, é que em nenhum momento se notou vontade de se dar passos nesta direcção. Houve, sempre, o escamotear das verdades e depois, o imbróglio da falta de pagamentos das equipas de manutenção, que logo nos primeiros momentos se predispuseram a cuidar das infraestruturas. O grande problema, porém, foi a relva. Sim, a relva. Porque os cuidados para com essa, tinham de ser feitos com conhecimentos profundos e com equipamentos afins.
A juntar o facto de que não foi acautelada a questão orçamental dos referidos Estádio que foram erguidos, para que as delegações provinciais do ministério de tutela pudesse fazer a sua parte, originou depois que houvesse em determinado momento, o chamado “jogo do empurra”. Ninguém arriscava assacar as responsabilidades para si, porquanto, em face da realidade eram demais para uma delegação provincial abrir o peito. O organismo de tutela começou, então, a ver as coisas com olhos de ver, partindo do princípio de que mais vale tarde do que nunca, até porque os tais empreendimentos têm a designação de Estádio Nacional….
A verdade, porém, é que tanto o Estádio da Tundavala, do Chiaze, como de Ombaka, com menores ou maiores dificuldades, todos vivem os mesmos problemas: gestão e manutenção. Hoje, provavelmente o Estádio “11 de Novembro” e o de Ombaka, em Benguela estejam em melhores condições, principalmente, para albergar jogos de futebol, função a que estão vocacionados. Porquê?
Também não sei. Talvez, por políticas diferentes. Talvez, porque tenham despertado cedo, e por conseguinte, os modelos de manutenção sejam como incremento público -privado. Talvez. Ainda, que assim seja, julgo que o da Huíla e o de Cabinda, a meu ver, não são “enteados” e por via disso, merecerem igualmente a mesma atenção. Da mesma forma que todas outras, incluindo os espaços de lazer e de prática desportiva nos bairros, infelizmente, usurpados pelos inimigos do desporto, devem ter o carinho e consideração para que se estimule, cada vez mais, a prática do desporto de recreação e alta competição.
Virando para outras realidades, na profundidade do País, damos conta que na verdade o parque infraestrutural no País, desportivamente falando, está totalmente degradado. No Bié, no Huambo, no Uíge, no Cuanza-Sul, no Moxico, enfim, latitude e longitudinalmente há que se reconhecer que há todavia muito que fazer. Mas, em minha modesta e humilde opinião, esse processo de mudança e viragem passa necessariamente pela mentalidade. A consciência do homem deve estar preparada para a mudança que se impõe. Ver as coisas com olhos de ver e reconhecer que o caminho não este. O caminho do desenvolvimento é outro, obriga-nos a esforços ingentes, prementes e urgentes para se fazer a volta de 360 graus, e assim, entrar na rota que outros mundos empreendem. Caso contrário, vai ser extremamente difícil reverter-se o quadro.
Deste modo, vai continuar a haver muitas dificuldades para as nossas equipas do Girabola e não só, evoluírem de forma salutar na competição. Será difícil termos uma competição boa e saudável. Será difícil, termos e atingirmos níveis bons para ombrearmos com outros países, quando nos propormos subir à fase de grupos das Afrotaças e ansiarmos participações nos CAN’s.
As infraestruturas desportivas, a todos os níveis devem ser revitalizadas para cumprir o seu papel social e se juntar à outras duas, nomeadamente, os técnico e o atletas e constituírem o trinómio para o desenvolvimento das mais variadas vertentes desportivas.
É mister referenciar que se tivermos como referência as que foram erguidas aquando do CAN 2010, a juntar àquelas que já existiam, multiplicar com as que estão na forja, teremos um parque recheado e com capacidade de puder gerar muitos craques para o nosso desporto.
MORAIS CANÃMUA