Força do nosso futebol e boatos sobre Ndungidi

O bom desempenho que as equipas angolanas tiveram nesta primeira eliminatória das Afrotaças, nesta nova temporada, justifica alguma substancial subida da qualidade do futebol nacional a julgar pelos últimos resultados conseguidos pelo 1º de Agosto. Claro que o avolumar de pontos, motivados pela prestação do campeão nacional na edição passada da fase de grupos da liga dos Campeões Africanos foi o mote para que pudéssemos agora exibir uma melhor prestação a nível do desporto-rei no país.

O bom desempenho que as equipas angolanas tiveram nesta primeira eliminatória das Afrotaças, nesta nova temporada, justifica alguma substancial subida da qualidade do futebol nacional a julgar pelos últimos resultados conseguidos pelo 1º de Agosto. Claro que o avolumar de pontos, motivados pela prestação do campeão nacional na edição passada da fase de grupos da liga dos Campeões Africanos foi o mote para que pudéssemos agora exibir uma melhor prestação a nível do desporto-rei no país.
Vale dizer no entanto que, em face do que o nosso representante fez ao chegar às meias-finais da referida competição, sendo inclusive “roubado” de forma descarada pelo árbitro zambiano Jenny Schikazwe, o 1º de Agosto merecia outro tratamento na presente edição. Ou seja, deveria ter direito a entrar numa fase mais adulta da prova que não fossem as preliminares e, puder disputar apenas uma única eliminatória à entrada da fase de grupos. Na verdade só assim se justificaria o esforço e a determinação que os bravos atletas tiveram, principalmente no “inferno” chamado Radès, em Túnis, quando defrontaram o “intocável” Esperance de Túnis.
Hoje porém, a realidade é outra. O 1º de Agosto inicia um novo ciclo que esperemos o leve até à final (aliás, só isso faria sentido!) e o Petro de Luanda, na Taça das Confederações, vulgo Taça Nelson Mandela faz a sua “reentré” nas lides do futebol africano onde num passado não muito longínquo fez de facto furor.
A vitória folgada, de quatro bolas sem resposta conseguida no jogo da primeira mão diante do “desconhecido” Orapa United do Botswana, justifica bem a vontade dos petrolíferos desejarem reconquistar a África do futebol e, remarcar o seu nome nos anais do futebol continental. Pese embora não muito bem afinada a máquina, os rapazes de Roberto Bianchi conseguiram, com algum vigor, espantar os males e arrancar uma vitória folgada diante de um adversário que pareceu algo frágil e ingénuo, pelo menos no jogo de terça-feira. Mas, isso pode ser uma ilusão de óptica. Aliás, neste tipo de competições é difícil geralmente aparecerem equipas fracas. Por isso, o Petro terá que encarar o jogo de resposta com a mesma determinação e bravura, contando já com a possível transfiguração do adversário que, de certeza, em sua casa, tudo fará para surpreender. Por banda do 1º de Agosto que chegou a provar o mel das meias-finais, acaba, por isso, por ter responsabilidades acrescidas na competição. Há quem augure a final e a consequente conquista, em face da campanha que fez na edição passada.
No jogo da primeira mão desta edição da Liga dos Campeões, os militares ultrapassaram o AS Otohô do Congo Brazzaville, por 4-2 num jogo em que quase foi surpreendido. O susto inicial, ao consentir dois golos do adversário, serviu para os militares, quão “recrutas” bem treinados, darem a cambalhota no resultado. Mas, ainda assim, fica um “amargo de boca” por causa de alguma falta de humildade dos comandados por Jovic Dragan que ousaram entrar em campo de “salto-alto”  e, com fato e gravata. Depois, quando as coisas começaram a azedar, logo, logo mudaram a indumentária para o habitual “fato-macaco” e, com serviços mínimos, mas com algum esforço adicional, colocaram o Othô no seu devido lugar.
Depois desses considerandos dos jogos das Afrotaças, gostaria de tecer algumas considerações a volta de Ndungidi Daniel, a antiga estrela do 1º de Agosto e da Selecção Nacional. Na verdade, o “boato” espalhado por não sei quem, de que o craque estava adoentado e sem apoios, preocupou-nos a todos. Afinal, tudo não passou de um boato mal gizado por pessoas de má fé. Ndungidi Daniel, na verdade dispensa comentário. Foi um exímio executante. Um futebolista de mão cheia. 
Bons recortes técnicos, velocidade, remate com dois pés, jogo aéreo apurado, poder de drible, enfim, a sua forma de jogar arrastava público nos campos. Eu pessoalmente pertenço à este tempo em que saíamos dos musseques de Luanda, descendo a baixa de Luanda para vibrar com as fintas de Ndungidi. Quem não se lembra do jovem esguio, de ombro inclinado ligeiramente para esquerda e com o braço esquerdo esticado ao longo do corpo e com a mão em concha para trás, fazendo das suas, jogando alegremente e dando glórias ao 1º de Agosto?
Era esse o estilo do “mestre” que veio a cativar muitos jovens para a prática do futebol. Era um autêntico Pelé. Tinha muita bola nos pés. Os seus colegas, Zeca, Amândio, Julião, Mané, Alves e companhia que o digam. Quando Ndungidi entrasse pela direita, tirasse dois ou três adversários do caminho com fintas estonteantes, o cruzamento era meio golo. Que o digam os defesas da época, com particular destaque ao Paulo Cassule, lateral esquerdo do Progresso do Sambizanga aquém Ndungidi foi apontado como “culpado” do fim da sua carreira prematura e inglório pelo “massacre” que foi objecto num célebre jogo entre o D’Agosto e Progresso do Sambizanga, no estádio dos Coqueiros, na década de 1980. Portanto, a dimensão e grandeza, de Ndungidi Daniel, por nada podem ser vilipendiados…
Morais Canãmua