Federação põe água no começo do Girabola

O Girabola 2018/2019 já teve o seu pontapé de saída. Titubeante, mas começou. Tímido mas, arrancou. E, convenhamos, com alguma desorganização a mistura, muito por culpa de algumas trapalhadas da Federação Angolana de Futebol (FAF) que, em tempos de novos paradigmas, não se coibiu em mostrar as suas trapalhadas e como andam desorganizadas as coisas, particularmente no quesito inscrições,  licenciamento de jogadores e afins.

O Girabola 2018/2019 já teve o seu pontapé de saída. Titubeante, mas começou. Tímido mas, arrancou. E, convenhamos, com alguma desorganização a mistura, muito por culpa de algumas trapalhadas da Federação Angolana de Futebol (FAF) que, em tempos de novos paradigmas, não se coibiu em mostrar as suas trapalhadas e como andam desorganizadas as coisas, particularmente no quesito inscrições,  licenciamento de jogadores e afins.
Na verdade, foi um cortejo triste, que marcou pela negativa o arranque da principal prova de futebol do nosso país, onde o futebol inflama paixões e arrasta multidões. Não foi bom ver o destapar das cortinas e verificar que afinal parecem que ainda existem clubes protegidos, uns mais do que outros.
Por via disso, uns inclusive, com direito a colo, xuxa e miminhos. Só assim se explica o facto de, tendo havido deliberações expressas, segundo as quais, os clubes só deveriam fazer licenciamento dos seus atletas, liquidando os passivos que, eventualmente, tivessem com técnicos e atletas. Do mesmo modo, fazendo fé ao órgão reitor de que teriam arcaboiço financeiro para aguentar a prova. Infelizmente, nem todos cumpriram com os prazos estipulados e eis que, à portas do início da prova, ainda haviam pendentes para se derimir. Coincidentemente, um dos grandes, o Petro de Luanda, estava no imbróglio, devido à um pendente com o antigo craque, Avelino Lopes. A FAF, por incrível que pareça, acabou envolvida numa situação, que terá feito um recuo que mais pareceu de cobardia, do que estratégico.
Em face de tamanhas questiúnculas, o órgão reitor do futebol nacional, ao invés de adiar o início da prova, preferiu separar “filhos e enteados”, ao permitir, com supostos “telefonemas-promessas”, quão acordos de cavalheiros, que Atlético Sport Aviação (ASA) e Petro de Luanda pudessem realizar os seus jogos referentes à primeira jornada da prova, respectivamente diante do Sagrada Esperança e do Recreativo do Libolo.
A gota que transbordou o copo, no entanto, foi o facto de, na mesma esteira, não ter permitido que o Recreativo da Caála, supostamente nas mesmas condições que os citados clubes de Luanda, efectuasse o seu jogo inaugural no Uíge, diante dos \"católicos\" do Santa Rita de Cássia, mesmo depois da mesma ter escalado a antiga cidade de Carmona. Mesmo não querendo fazer transparecer, a situação configurou protecção à uns, em detrimento de outros, quando até, as situacões de supostos impedimentos, eram iguais para os aviadores, petrolíferos e, no caso vertente, os caaleensees. Com bastante razão e, a seu jeito, Horácio Mosquito \"picou\", acabando por dizer umas boas verdades.
Mas o início da maior competição futebolistica do país, não foi marcado apenas por isso. Os árbitros também entraram na \"baila\", por força de algumas”lutas palacianas” que existem, infelizmente, na FAF, que acabaram por colocar o Conselho de Arbitragem no “barulho”. Diante  de tudo isso, devido a busca de protagonismo entre os Conselhos Técnico e de Disciplina, baralharam com deliberações precipitadas e de protecção.
O Conselho de arbitragem, que tendo recebido”ordens superiores”, solicitou aos árbitros, principalmente dos jogos onde interviriam os clubes em falta (Petro de Luanda,  ASA e Recreativo da Caála), que regressassem à procedência, por não terem sido honrado os prazos de resolução dos pendentes, não tendo por isso a FAF recebido garantias válidas das partes em negociações nos clubes, de que tudo estaria sanado.
O espanto foi ver, ainda assim, na hora do jogo de Calulo, o árbitro a entrar em campo com as equipas e, um dia antes, o ASA a empatar a uma bola diante do Sagrada Esperança,  sendo impedida de chegar ao estádio \"4 de Janeiro\", na cidade do Uíge,  o Recreativo da Caála,  talvez por não ter feito os necessários \"lobbies\", para ultrapassar o imbróglio. Moral da história, ou a FAF não estava preparada para o início da competição ou então terá protegido alguns clubes, em detrimento de outros na mesma situação. E mais, foi estranho os recuos e avanços protagonizados, dando em poucas horas, o dito por não dito. Do mesmo modo, há que se admitir que faltou comunicação em todo processo. Ou seja,  FAF geriu mal o quesito comunicação.
Preferiu, antes demonstrar a nu, que existentes lutas palacianas no seu interior, configurando crise de liderança,  numa altura em que o seu presidente se encontra ausente.
O grande alento é que a prova arrancou mesmo. Mesmo com solavancos, arrancou. Com muitos empates, enfim, com os jogadores ainda presos nos movimentos mas, arrancou.
A época, disputada de agora em diante de um ano para outro, será ainda à pressão. Apesar disso, notamos que, na pré-temporada, poucas foram as equipas que ousaram realizar estágios de pre competição por um lado, pelo curto tempo e, por outro, pela fraca competência financeira. 
Por todo esse imbróglio, fica-se satisfeito pelo facto de a FAF ter assumido o ónus da trapalhada, fazendo inclusive mea-culpa.  Que sejam resolvidos todos os pendentes. Que haja harmonia de funcionamento entre os vários conselhos, que formam a estrutura orgânica da FAF, para salvaguarda e moralização do nosso futebol. Vamos nos organizar. Deixemos de brincar aos futebóis. Tenho dito!
Morais Canãmua