O dinheiro do futebol deve vir...do futebol !

Há anos, o então secretário-geral da Federação Angolana de Futebol (FAF), José Cardoso de Lima, apelou à uma maior responsabilidade, nos pronunciamentos públicos dos dirigentes desportivos, por provocarem alguma instabilidade na organização das provas que realiza e que exigem muito dinheiro.

Há anos, o então secretário-geral da Federação Angolana de Futebol (FAF), José Cardoso de Lima, apelou à uma maior responsabilidade, nos pronunciamentos públicos dos dirigentes desportivos, por provocarem alguma instabilidade na organização das provas que realiza e que exigem muito dinheiro.
Na altura, até levantou a velha questãode passar-se a efectuar os pagamentos dos prémios de arbitragem mensalmente, através de um depósito no valor de um milhão e quinhentos mil kwanzas, isto numa altura em que a FAF tinha um défice elevado de 11 milhões de kwanzas. A Federação, disse, estava a cumprir a sua parte com a subvenção de uma parte das dívidas para com os árbitros.
Até hoje, as contas do e no nosso futebol nunca bateram certo e os caminhos para soluções continuam a ser evocados. Como é por exemplo essa de, há dias, a Federação Angolana de Futebol vir a organizar, no dia 19 deste mês, uma \"grande\" reunião, para se discutir o orçamento  este ano de 2019.
Perguntei a mim mesmo: orçamento resultado de receitas próprias, ou então, se ainda proveniente dos cofres do Estado?  As provas que a FAF realiza são capazes de mitigar o suporte estatal?
Duvido se,  ao que tudo indica, este ano, quando for encontrado  o campeão nacional do Girabola, não vai voltar a  ser levantada a questão de se saber se será apenas coroado a tal, com  meras  palmadinhas nas costas, ou já com dinheiro vivo, como sinal das receitas e  de investimento monetário e humano que fez o futebol gerou.
Para falar verdade, esta questão, embora seja recorrente, tem toda a razão de ser evocada e sobretudo nestes dias, em que já não é apenas o Estado (através de ministérios e empresas públicas) que apadrinha os clubes, a quase fundo perdido, por existiram também entidades particulares a fazê-lo, como é o caso das grandes equipas  que dependem dos seus avantajados patrocinadores privados.
A direcção dos grandes clubes aplicam rios de dinheiro, para contratar jogadores e técnicos. Fazem deslocações, dentro e fora de portas, com gastos astronómicos ao longo do campeonato.
Decididamente, o campeonato  em si tem de conhecer o dia em que será auto-suficiente para produzir ganhos e receitas para os clubes. Este particular, remete para a urgência da instituição de uma Liga de Futebol em Angola, que é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro, para os cofres dos clubes.
Até os países africanos, sem o peso económico e social que Angola ostenta, fazem-no há décadas. É que se esta urgência não fizesse sentido, não teríamos, como estamos a ver e a assistir, dirigentes a fazerem considerações à respeito de receitas inexistentes no futebol nacional.
 De sua justiça têm frisado, e bem, que não há cofres cheios porque aqui  na nossa terra, o futebol é visto como um desporto de entretenimento, na medida em que ainda se nota a participação do Estado na atribuição de um  parco orçamento para a Federação Angolana de Futebol (FAF), para a gestão de competições.
Enquanto tal política de suporte público se mantiver, como defendem muitos dirigentes, a mesma política vai dificultar a criação de condições para se atribuir, por exemplo, ao campeão do Girabola um bom prémio monetário.
Eu assino por baixo, os agentes do nosso futebol que advogam a ideia de que o dinheiro do futebol deve vir do futebol e não de outras instituições, que nada têm a ver com este desporto.
Por outras palavras, a solução está nas entidades que gerem o desporto - rei em Angola, saberem, de uma vez por todas, fazer uma a clara distinção em relação à lógica que deve seguir o nosso futebol, isto é, se é  comercial ou ainda de recreação, para se ter ou não receitas volumosas.
A pergunta final, aqui, é esta: mais de quatro décadas de disputa, por exemplo, do Girabola, nesta altura não havia condições para  tornarem-no num produto comercial apetecível ao público e rentável aos clubes desde que seja bem tratado e organizado?
Durante muitos anos estranhámos, e por isso, não merecia aplausos, a posição da própria Federação Angolana de Futebol que no concreto não impulsionava.Não estimulava a partir-se já para a Liga em Angola. Só admitia vagamente. Oxalá tenha outra postura!
António Felix