O elefante azul do nosso desporto

Se tivesse um dia de eleger um elefante azul, ou melhor branco, no desporto angolano esse seria o Interclube. Excluo da lista o Recreativo do Libolo e o Kabuscorp do Palanca, que nunca chegaram a sê-lo. Quanto muito terão sido elefantizinhos.

Se tivesse um dia de eleger um elefante azul, ou melhor branco, no desporto angolano esse seria o Interclube. Excluo da lista o Recreativo do Libolo e o Kabuscorp do Palanca, que nunca chegaram a sê-lo. Quanto muito terão sido elefantizinhos. O Interclube é um verdadeiro caso de estudo. É preciso ir às causas do problema do Interclube, que nunca se afirmou como grande clube do desporto angolano. Por culpa da sua direcção encabeçada por Alves Simões, sobretudo nas últimas duas décadas, altura em que passou a ter dinheiro para fazer tudo e mais alguma coisa. Ou seja, com o dinheiro que o Interclube tem, devia estar na dimensão do 1º de Agosto ou acima disso, por uma razão que passo a explicar. Ao contrário do Petro de Luanda e do 1ºde Agosto que vão mudando de presidentes, o Interclube tem Alves Simões há muitos anos. Fez um interregno quando se aventou a hipótese de que fosse presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), mas goradas as expectativas, colocou patins ao Martinez, então presidente, e reassumiu outra vez o seu Interclube. Desde que regressou, faz quase oito anos, não se lhe conhece um feito digno de registo. A equipa de futebol continua uma sobra de si mesmo. Dois títulos de campeão  nacional é o máximo que Alves Simões conquistou no plano nacional no seu longo consulado. O basquetebol masculino vive de expectativas em expectativas e nunca foi capaz de grande feito. O feminino tem sido o porta-bandeira do clube. Uma ou outra modalidade individual preenchem  o universo Interclube. O pavilhão dos Bombeiros, que mais parece recinto para aulas de educação física de um colégio primário do que outra coisa, a sua sede social justificam os principais investimentos do presidente mais antigo dos clubes tidos por grandes, excluindo o Kabuscorp do Palanca cuja natureza carece de um verdadeiro estudo. Atadas todas as razões, o Interclube é no nosso desporto um elefante branco, mas que tem todas as pernas para caminhar. É necessário ensaiar outros no lugar de presidente. Foi assim com o 1ºde Agosto, que parecia um eterno condenado, e em poucos anos, com pessoa que tem orgulho próprio, o clube distanciou-se de todas as previsões necrológicas e assume-se hoje como o maior. Ganha títulos em quase todas as modalidades, tem infraestruturas de sobra e ainda vende jogadores para o exterior. Só lhe falta encontrar um negócio sustentável para diversificar as suas fontes de receitas. Podia, por exemplo, investir numa cadeia de restaurantes ou noutro negócio qualquer, dando emprego a ex-atletas ou jogadores depois de uma competente formação. Porém está noutro patamar, a justificar em grande medida o dinheiro que tem. Já o Interclube, apesar do dinheiro, é uma fábrica de intenções apenas.
Teixeira Cândido