Momento decisivo

Não pode haver dúvida. O desporto não é apenas uma festa, é também um espectáculo, não muito dissociado da própria Sétima Arte.

Não pode haver dúvida. O desporto não é apenas uma festa, é também um espectáculo, não muito dissociado da própria Sétima Arte. O que vimos nos filmes quando se aproximam ao fim, é um momento de suspense, em que não poucas vezes o silêncio toma conta do lugar. No meio do suspense que envolveu o cenário, chega-se ao momento decisivo, aquele em que o artista acaba por imolar o \"rei dos bandidos\".
Os grandes eventos desportivos não fogem disto, sendo este o momento que se vive agora no Campeonato do Mundo de futebol, encontrados que foram os finalistas que, domingo próximo, descem ao relvado do Lujniki Stadium, em Moscovo, para discutir o troféu, numa peleja cujos contornos que todo aquele que teve a primazia de acompanhar o desenrolar do certame pode prever, sem muitos pruridos.
O momento é próprio para a contagem de espingardas. Está tudo parado. O mundo, remetido ao silêncio, próprio de actor secundário ou de mero figurante, conta as horas em falta para a grande final. Ficou para trás a azáfama dos dias anteriores, em que a Rússia estava transformada num verdadeiro formigueiro. Agora é silêncio total.  \"Silêncio na aldeia\",  para fazer recurso ao título da obra literária de um dos meus ídolos nestas lides de escrita.
Enfim, chegou-se àquele momento que desaconselha palpites, porque as pessoas, entre público adepto e até analistas da \"coisa desportiva\" já falharam, a toda largura, nos prognósticos. As equipas a que apostaram à partida, fracassaram na primeira hora. Ainda assim, atreveram-se a apontar outras, que também acabaram estateladas ao comprido.
 Quando assim acontece, chega-se a um determinado momento em que já não interessa indicar A ou B como favorito, até porque agora as coisas ficam mais fáceis. Pois entre arriscar numa aposta que envolva capital financeiro sobre quem será campeão, quando a prova ainda ia nos oitavos-de-final e fazê-lo agora não é mesma coisa.
No fundo, o campeonato está terminado. Ficou apenas para a França e a Croácia e talvez também para a Inglaterra e a Bélgica, lá isto para não tirar importância ao terceiro lugar, que não deixa de ser honroso para qualquer selecção, sobretudo naqueles casos de quem se tenha apresentado na prova com ambições modestas. Outras 28 selecções que fizeram, inicialmente, parte da prova estão na condição de meras espectadoras, refeitas, bem ou mal, das agruras causadas pelo fracasso.
Os dias de ontem e de hoje são de meditação profunda para as equipas, para os países que ainda estão em competição. Quem chega aqui está, pelo sim pelo não, na contingência de exigir mais de si. É o silêncio a tomar conta da aldeia global. Mesmo os próprios actores directos do espectáculo, por exemplo as equipas técnicas da França e da Croácia, estarão envolvidas no mesmo silêncio de meditação, sobre que estratégias a ensaiar para que tudo corra de feição, uma vez estando já a vislumbrar o título como um objectivo palpável. Portanto, o momento é de reflexão profunda. As atenções estão voltadas, por inteiro, a uma França, que procura chegar ao seu segundo título, 20 anos depois, e pararem a surpreendente e ousada Croácia, sedenta a entrar no selecto grupo dos campeões mundiais. Já só faltam 48 horas, para que se conheça o novo campeão do mundo.
Apertemos os corações...