No clássico de hoje que ganhe o melhor!

Petro de Luanda e 1º de Agosto protagonizam hoje mais um clássico do nosso futebol, referente à jornada 10 do Girabola Zap 2018. Longe do fulgor.

Petro de Luanda e 1º de Agosto protagonizam hoje mais um clássico do nosso futebol, referente à jornada 10 do Girabola Zap 2018. Longe do fulgor de outros tempos, petrolíferos e militares tentarão não mudar a mística nem a beleza que esses jogos sempre proporcionaram, nem tão-pouco se atreverão a branquear um passado cheio de glórias em que o adepto e aficionado comum sentiam-se arrastados pelas emoções e vontade de ir ao estádio e, ao vivo e a cores, vibrarem com e pela equipa do coração.
Naturalmente hoje já não evoluem craques da igualha de Napoleão, Manico, Ndongala, Julião Kutonda, Lourenço, Zeca, Amândio, Sabino, Loth, Ndunguidi, Alves, Vieira Dias, enfim, do lado militar e, do lado do Catetão, Lúcio ou Tó-Zé, Moreno, Nejó, Makuéria, Chico Afonso, Afonso, Pepé, Lito, Jesus, Abel, etc., pelo Petro de Luanda mas, ainda assim, de certeza absoluta que os “tiffósis” acorrerão ao estádio ávidos única e simplesmente para verem bom futebol. Bom espectáculo. Recheado de fair play e respeito mútuo.
Com isso, o Girabola Zap 2018 vem somando pontos, proporcionando de facto bons jogos que, neste andar acabará por devolver os adeptos aos campo onde, nos últimos tempos, com particular realce para Luanda, tem sido uma lástima.
Diria mesmo, uma autêntica “pobreza franciscana”. Temos quase certeza que hoje será diferente no estádio “11 de Novembro”, embora não arrisque que venha a conhecer lotação. Acho que é muito difícil hoje por hoje, convencer 50 mil pessoas a encherem o estádio e, cada um com a sua camisola, vibrar pelo seu D’Agosto ou pelo seu Petro.
Voltando ao jogo desta tarde, quero aferir que independentemente do estado de forma e classificação que os dois contendores têm nesta altura, as cogitações podem ser apenas um mero exercício de projecção porque, tal como se diz: no clássico, tudo pode acontecer. Nem sempre as cogitações e as projecções são lineares.
O Petro de Luanda teve um empate diante do Recreativo do Libolo na jornada passada, num jogo em que, na verdade, mesmo jogando em casa, não teve argumentos válidos para suplantar o seu adversário. Faltou imaginação, criatividade e sobretudo alguma motivação adicional; Já os militares jogaram e venceram o Recreativo da Caála, no Huambo. Uma retumbante vitória que galvaniza os rapazes de Zoran Maki demonstrando que estão vivos e atentos, com tendência de ressurgirem quase das “cinzas” já que, nesta altura, ocupam o modesto 14º lugar com 5 pontos e 4 jogos em atraso.
Estes pressupostos parecem demonstrar que os rapazes do “Rio Seco” estejam mais motivados e com força anímica adicional em relação aos do “Catetão” mas, quem assim pensar enganar-se-á porque, tal como disse, para este reencontro dos dois colossos do nosso futebol, estas questões quase não entram nas contas.
A motivação, a força anímica e a vontade férrea de ganhar aparecem à porta do balneário quando se dispõem a entrar em campo para medir forças. A rivalidade (no bom sentido, claro!) entre os dois contendores ultrapassa os limites mas, tudo na perspectiva de proporcionar sempre o melhor espectáculo para os seus adeptos. Cada um dos emblemas diz: Que ganhe o melhor! Mas, no fundo quer Petro, quer D’Agosto, querem sempre ser o melhor, dado a exacerbação do orgulho que mora nas hostes de cada um. O Petro de Luanda lidera o ranking dos títulos, tem 15. O 1º de Agosto tem 10 títulos conquistados e, claro se repetir a proeza neste ano, começa a encurtar a vantagem petrolífera que pelo contrário começa igualmente a ver diminuída.
Parece que não mas os jogos entre si podem sim ter grandes implicações finais na disputa do campeonato. Independentemente de ser ainda no primeiro terço do campeonato mas tem sempre o seu peso nas contas finais. Petro e 1º de Agosto sempre se medem assim. Cada um “sonda” a estratégia do outro e respectiva evolução na prova, jogo após jogo. Deste modo, os desafios entre si, da primeira e da segunda volta, têm sempre implicações substanciais no “lavar dos cestos”. Por isso, na partida de hoje, cada um irá “puxar a brasa à sua sardinha” querendo para si o triunfo. Oxalá o fazem com brio, com brilho, emoção e espectacularidade.
Jogadores como Gerson, Wilson, Hélio, Mira, Carlinhos, Tiago Azulão, Mateus e companhia, tudo farão para suplantar a armada formada por Neblú, Dani, Issa, Bobó, Isaac, Paizo, Ibukun, Geraldo, Jacques, Razaque e outros, ávidos de acharem, já agora, a reabilitação na prova doméstica que este ano acumulam com a campanha africana onde o “confrade” Petro de Luanda não conseguiu atingir a fase de grupos.
Para os dois, tudo isso conta e parece que os militares tentarão aproveitar o efeito psicológico que esta situação causou aos petrolíferos que demonstram que a desqualificação nas Afrotaças tem provocado efeitos devastadores que “atrapalha” a concentração dos rapazes de Beto Bianchi no Girabola. Mas, também pode ser que este jogo seja para os petrolíferos decisivamente o jogo da chamada “virada” e venha a eles a reabilitação… Aliás pode ser a reabilitação igualmente dos militares cuja classificação actual, independentemente de outros factores não o dignifica, ainda que tenha os jogos que tem em atraso.
A ver vamos, no sentido de tudo isso trazer apenas para o público amante, aficionado e simpatizante das duas formações, bom futebol e bom espectáculo.
Para nós, adeptos neutros, que ganhe o melhor e o melhor seja o nosso futebol!
MORAIS CANÂMUA