Uma imagem preocupante

Assisti a última janela qualificativa ao Mundial da China com imensa preocupação. São raras as vezes que assisti a nossa selecção exibir-se tal como o fez no Pavilhão do Kilamba. Um exemplo mais próximo dessa exibição será a participação de Angola no Afrobasket do Madagáscar, quando a Federação Angolana de Basquetebol inventou colocar no comando um francês que não nos conhecia nem de longe.

Assisti a última janela qualificativa ao Mundial da China com imensa preocupação. São raras as vezes que assisti a nossa selecção exibir-se tal como o fez no Pavilhão do Kilamba. Um exemplo mais próximo dessa exibição será a participação de Angola no Afrobasket do Madagáscar, quando a Federação Angolana de Basquetebol inventou colocar no comando um francês que não nos conhecia nem de longe. Camarões parecia Angola. Jogou muito apesar de ter perdido. Foi um basquetebol ao qual nos acostumamos a ver. Nada porém espanta quem como nós segue o desporto com obrigações profissionais. A raiz dessa descaracterização assenta no facto de termos experimentados muitos treinadores que não fazem parte das escolas que inspiraram o modelo que nos tornou superpotência continental. O modelo do basquetebol nacional nasceu da fusão da escola americana e do bloco do  leste europeu. Portanto, só esses podiam manter o modelo do basquetebol nacional. Basta ver o que Lazare Adigonou faz no Petro de Luanda. Outro problema prende-se com uma inversão. O basquetebol nacional sempre formou, e bem, mas nos últimos anos os principais atletas das equipas nacionais são estrangeiros, americanos sobretudo. Os grandes clubes deixaram de colocar os grandes treinadores na formação, passaram empurrar para estes cargos os que acabam de terminar a carreira. E com isso temos uma pobreza extrema de altas com grande qualidade. Como podemos carências de bases e triplistas, curiosamente duas das posições em que sempre esbanjamos atletas. Foi sofrível o treinador ter que fazer ginástica para encontrar quem fosse capaz de conduzir o jogo. Foi sofrível ter de depender apenas de Carlos Morais, e de quando em vez Moore e uns tantos conseguiam lançar dos três pontos. É urgente os clubes reflectirem sobre o nosso basquetebol. É urgente inverter-se a formação. Petro e o 1º de Agosto que sempre carregaram nos ombros essa responsabilidade precisam inverter esse quadro. É preciso colocar treinadores com vastíssima experiência e conhecimento científico. Podemos não ter mais Victorinos, Wladmiros ou Mários Palma mas temos de encontrar pessoas próximas, ainda que seja necessário ir contratar naqueles países de que fiz referências. Foi isso que o 1º de Agosto fez no futebol. Aí estão os resultados. É preciso fazer também no basquetebol. O basquetebol e andebol são as nossas bandeiras, nos mundiais e nos Jogos Olímpicos. É preciso manter essas bandeiras hasteadas. Teixeira Cândido