Fomento do basquetebol tem resultados animadores

A pequena Eliani de Lourdes Mundila, 12 anos de idade, integra o grupo de talentos que despontam no núcleo de basquetebol feminino do Interclube da Huíla. Quando iniciou a prática da modalidade, não executava nenhum movimento técnico.

A pequena Eliani de Lourdes Mundila, 12 anos de idade, integra o grupo de talentos que despontam no núcleo de basquetebol feminino do Interclube da Huíla. Quando iniciou a prática da modalidade, não executava nenhum movimento técnico.
Já são passados dez meses, desde que o projecto de massificação de basquetebol feminino teve a anuência da direcção do Grupo Desportivo Interclube, na província da Huíla, a jovem Eliani de Lourdes Mundila efectua com perfeição dribles, lançamentos, passes, entre outros fundamentos básicos da modalidade.
Os resultados da evolução técnica demonstrados pelas 80 crianças são animadores, movimentam o referido Núcleo,  o que satisfaz o treinador Aurélio Moisês “Lellas”. 
Em declaração ao Jornal dos Desportos, o técnico do Núcleo do Interclube da Huíla revela que o projecto é um alavancar de novos horizontes, para sustentar o basquetebol feminino do Grupo Desportivo Interclube.
Enumerou, que no universo de 80 praticantes, o projecto conta com cinco atletas de 13 anos de idade. “As nossas atletas com mais idade, neste escalão de iniciados, têm 13 anos. Então, no universo de 80 miúdas, temos cinco praticantes com 13 anos. Quer dizer, que estamos com petizes de 11 aos 12 anos”, esclareceu.
Aurélio Moisês “Lellas” ressaltou, que a incrementação do programa consiste na captação e pesquisa de novos talentos, para contribuir no desenvolvimento da \"bola ao cesto\" feminino, “daí, precisamos de muita coisa”, perspectivou.
 “Está certo que muita das vezes, a vontade sobrepõe-se às necessidades, mas nem sempre. Há vezes, que as coisas não vão bem e nós Núcleo do Interclube da Huíla somos principiantes, com o projecto de basquetebol. Por isso, precisamos de apoios de todo tipo”, apelou.
 Mencionou que do grupo de crianças que iniciaram  o projecto em Abril de 2017, desistiram 20, por vários factores.
 Argumentou, que algumas dessas crianças, desistiram porque os pais acharam que não deviam treinar mais, ou continuar a praticar a actividade desportiva.
 “Se tivermos de falar das crianças que entraram desde Abril passado no projecto, temos 60 por que eram 80 e desistiram 20 por vários factores. Umas crianças abandonaram porque os pais acharam,que não deviam treinar mais,  fomos obrigados a recrutar mais 20 crianças que estão a começar do zero. Quer dizer, que apesar da desistência, mantemos as 80 crianças”, contou.
Ao balancear  o evoluir do projecto, Aurélio Moisês “Lellas” elucidou, no tocante à área técnica, considera-se positivo devido aos resultados obtidos no campeonato provincial em que participaram, pela primeira vez no ano passado, e da própria evolução técnica apresentada pelas atletas em formação.
Fundamentou que em termos de aperfeiçoamento, tecnicamente o balanço é positivo porque quando o projecto começou, foram traçados objectivos desportivos e técnicos. “E, alcançamos os objectivos traçados e a partir daí, nós consideramos positivo”, disse.
 O técnico asseverou trabalhar com crianças da iniciação, que estavam basicamente dedicados a fundamentos técnicos. Acrescentou, porém, nos dias de hoje já driblam a bola com as duas mãos, fazem lançamentos.
  “Então, se forem para o nosso treino, encontram todas as crianças a driblarem a bola com as duas mãos,  fazem lançamentos na passada, uma bandeja do lado direito e esquerdo. Quer dizer, todas as  crianças têm os fundamentos básicos do basquetebol e para 10 meses, o nosso trabalho está direccionado para aí”, enalteceu.  
 Aurélio Moisês manifestou-se confiante quanto à  evolução progressiva das atletas inseridas no projecto, com  o objectivo de servir de embrião da modalidade nas terras altas da Chelas.
 Adiantou esperar do projecto evolução, porque no desporto não há limites, daí, prometeu trabalhar todos os dias com a finalidade de serem os melhores.
 Para a presente época basquetebolística, salientou que as intenções do Núcleo do Interclube da Huíla passam por participar em todas provas programadas pela Associação da modalidade local, sobretudo, em torneios de abertura e campeonatos provinciais.
Esclareceu ,que o ano passado, participaram no campeonato provincial com duas equipas A e B,  ocuparam o terceiro lugar. “Foi a nossa melhor classificação, porque entramos com dois grupos, A e B. Com a equipa B, ficamos em quatro lugar. Mesmo assim, consideramos a nossa participação positiva e excepcional, porque tínhamos cerca de seis meses de trabalho. Participamos e jogamos com equipas que  participaram em dois campeonatos nacionais, um deles no ano passado, e perdemos com a melhor equipa campeã provincial. As nossas derrotas não foram além de dez ou 11 pontos de diferença”, disse.


Revelação 
Falta de recinto dificulta evolução técnica das atletas

A falta de recinto próprio para treino, constitui um dos factores apontados pelo técnico do Núcleo do Interclube da Huíla, que condiciona negativamente na evolução técnica dos petizes em fase de massificação e na descoberta de novos valores.
Para o técnico, estas condicionantes reflectem mais o lado negativo que o positivo, porque o Interclube da Huíla não tem sítio próprio para treinar.
 Revelou, que os atletas em formação, vivem da benevolência do Sporting Clube do Lubango para treinar , visto que fazem uso do ginásio da agremiação leonina.
 “Se formos a ver, a agremiação leonina deve estar entre os mais ecléticos do Lubango, por movimentar muitas modalidades, e  cada dia que passa é- nos diminuído um dia ou  hora de treinos no recinto do clube. Hoje, só tenho quarto horas e meia de trabalho por semana, no ginásio do Sporting do Lubango. Quer dizer, comecei em 10 horas. Agora, estou em seis. Se me vier entrevistar para a semana, talvez, não tenha nenhuma hora”, lamentou.
 Aurélio Moisês “Lellas” afirmou ser este um dos problemas que têm as atletas inseridas no projecto.
 “Atendendo que temos crianças em todos os períodos regulares, o ideal era termos um pavilhão próprio. Mas se não podem dar isso, dessem-nos no mínimo duas horas por dia,  nos dois períodos. Quer dizer, que neste caso, eram 10 horas. Ao falar de cinco dias por semana, duas horas no período da manhã e duas à tarde no mínimo”, disse.
Avançou, que não se consegue concretizar esse tempo, por inexistência de um campo próprio, apesar da disponibilidade  em trabalhar num dos pavilhões de Nossa Senhora do Monte, por três dias na semana. “Mas, aparece logo o factor transporte. Neste momento, o Interclube está sem transporte, não temos como transportar a criançada do centro da cidade para  Nª Sr.ª do Monte, por exemplo, no período da manhã”, frisou.
 Informou, que levar as crianças num dos pavilhões de Nª Sr.ª do Monte às 8h00 para treinarem até às 10h00, e depois regressarem à pé, constitui um constrangimento pelo facto do grosso da equipa ser composta por atletas residentes nos bairros Santo António e Tchioco, que distam do Complexo Turístico e Desportivo de Nª Sr.ª do Monte onde se localizam os três pavilhões.
 “Então, as crianças se forem, por exemplo, até ao bairro do Tchioco e voltarem para as aulas, é complicado”, referiu.


Idades
Técnico defende profunda reflexão 

A situação que deve preocupar a toda família basquetebolista nacional, está direccionada à reflexão relacionada com as idades das praticantes da modalidade nos diferentes escalões, defendeu no Lubango, o treinador do núcleo feminino huilano.
Aurélio Moisês “Lellas” salientou, que o escalão de iniciados vai até aos 14 anos,  questionou-se da realidade da província da Huíla.
“Para os iniciados, têm de ter no último ano, 14 anos. Face a isso, qual é a realidade da nossa província? Não quero falar a nível nacional, e até podia falar, prefiro falar a nível da província. Qual é a nossa realidade?”, questionou.
Apontou que as atletas na Huíla começam a jogar basquetebol aos 13 anos. “E, as pessoas podiam até reclamar, que as crianças vêm  mais cedo e recrutam miúdas dos 8 e 9 anos. O que se impõe, é o material disponível para trabalhar com as crianças de 8 a 9 anos”, disse.
 Sustentou que os clubes que trabalham na massificação, não têm bolas nem tabelas. “Não temos coisa nenhuma para trabalhar com essa criançada”, citou.
 Lembrou que as crianças começam a trabalhar aos 13 anos e  que com essa idade, estão ainda a apreender e já estão dentro do escalão de iniciados. Avançou que o ano a seguir tem 14 anos, e está a fazer o último escalão de iniciados.
  “Depois, tem 2 anos em cadetes e três em juniores. Eu acho, que se devia inverter. Os três deviam ser aqui em baixo, e depois os juniores logo se via, porque senão não temos hipóteses\", defendeu.
 Avançou que as praticantes vão para o escalão de cadetes e ainda estão a aprender a driblar uma bola, o que quer dizer, que só quando forem juniores é que estão mais ou menos bem.
 “Então, isto é complicado. É algo que temos de discutir com o órgão reitor da modalidade no país. Já conversei com alguns colegas e vamos propor à Associação local, que na assembleia-geral coloquem à mesa, para conversar com as outras Associações, para que fica mesmo difícil essa situação”, frisou.                                                       


Aprendizado dos petizes
Fundamentos básicos dominam processo 

Os aspectos de dribles, lançamentos e passe de bolas, dominam o trabalho do processo de aprendizagem dos praticantes de basquetebol do Núcleo do Interclube da Huíla, pese embora, enfrentarem dificuldades de material de vária índole para massificar.
 Aurélio Moisés “Lellas” explicou que de momento, não se pode falar muito em trabalho específico, porque estão apostados nos escalões de formação e as atletas de mais idade do grupo, têm 13 anos.
 Destacou que o trabalho específico que está a  ser levado acabo, versa na transmissão de conhecimentos, de aperfeiçoamento dos aspectos de dribles, lançamentos e passes. “Não temos especificidade nenhuma, por sector ou áreas, porque nessas idades as crianças jogam à vontade. Não há postes, bases e extremos. Elas jogam. E então neste momento, o trabalho específico é mesmo os fundamentos de basquetebol”, confirmou.
Garantiu, que a comissão técnica do núcleo, só vai começar a escalonar cada atleta na sua devida posição, a partir dos escalões de cadetes.
 Admitiu que neste momento, se olharmos para cada atleta, fisiologicamente, o desenvolvimento técnico de cada uma, pode dar a ideia em que posição pode ser escalonada.
 “Preferimos não definir as posições, para depois não se acomodarem. Quando começamos a dizer a uma criança a partir de hoje o teu lugar é aqui, ela começa a pensar que só joga nesta ou naquela posição. Então, preferimos que as crianças desenvolvam as suas habilidades em todos os aspectos, e mais tarde, começamos a pensar em lugares específicos”, ilustrou.                                                                                                    

Constatação
“Basquetebol feminino no país está em declínio”

 O técnico de basquetebol de nível I, afirmou que a modalidade no sector feminino na província da Huíla, em particular e no país no geral, “está em declínio”, por inexistência de clubes apostados nesta classe.
 “Falando do basquetebol na Huíla, posso dizer que está mal. As pessoas podem querer dizer o contrário. O basquetebol feminino na Huíla está em declínio, para não dizer o nacional no geral. Na Huíla, se formos a ver, há mais de quatro anos que nos escalões de cadetes e juniores femininos, não existe competitividade. Há uma única equipa que joga com as formações masculinas,  mesmo que perca com todas as equipas, sagra-se campeã provincial. Então, quer dizer que o basquetebol aqui na Huíla, está neste nível”, apontou.
Aurélio Moisês “Lellas” destacou, que a abertura do Núcleo do Interclube na Huíla, nos escalões de formação visa ajudar todos os agentes que trabalham na modalidade, com vista a mudar o quadro triste “porque o basquetebol feminino a nível da província está mal”.
 A nível do país,  é só as pessoas amantes da \"bola ao cesto\" olharem para o que acontece com os escalões seniores femininos. Lellas questionou-se, de quantas equipas existem no país? “Três ou quatro. Então, a partir daí, pode fazer-se o diagnóstico do quadro no geral. Temos de reconhecer também que existem províncias, como por exemplo Benguela e Luanda, que ainda fazem qualquer coisa para o desenvolvimento do basquetebol feminino”, salientou.
Adiantou, que com excepção de Luanda e Benguela, “não se vê nada, equipas de basquetebol a participar num campeonato sénior feminino. Então, acho que há muito por se fazer”, apelou.
 O técnico criticou, seriemente, o fraco trabalho feito em prol do desenvolvimento do desporto feminino no geral nas diversas modalidades.
 “O desporto feminino no geral, está muito mal. Aqui, a nível da nossa província, não sei se podemos chamar desporto, porque nós até ao olharmos por todas as modalidades, há sim ilhas. Se for para um lado, encontra um pouco de basquetebol, vai para outro, encontra-se outro bocado de andebol, algo de concreto ou com cabeça tronço e membros, não existe. As pessoas nem se preocupam com o desenvolvimento da modalidade”, ressaltou.
 Afirmou que no Lubango, as pessoas vivem à sombra de louros já passados. “As pessoas gostam muito dizer, nós fomos, e vive-se do nós fomos. Eu acredito, que enquanto se pensar assim, não se vai a lado nenhum, porque há muita criança que gostava de jogar\".
Segundo o treinador do Núcleo do Interclube da Huíla, urge à necessidade de todos conjugarem esforços, no sentido de “sairmos da situação” que se encontra actualmente o basquetebol feminino nacional.